Terça-feira, 8 de Abril de 2008

COMO É QUE É?

 

Todos nós temos vontade de conhecer o significado ou a origem de determinados fatos ou coisas. Geralmente, são fatos ou eventos corriqueiros, entretanto, a explicação nem sempre é fácil de encontrar. Por exemplo, alguém sabe porque as galinhas cantam depois de botar um ovo? Eu já procurei a explicação e não encontrei até hoje. E vejam, estou falando de galinhas caipiras, porque as de granja, coitadinhas, não tem tempo pra tanto. Outra coisa - porque os perus fazem glu-glu-glu quando ouvem um assobio? Não acredita - pois vá em qualquer fazenda ou chácara, chegue perto do bicho e solte um daqueles. O coitado do animal dispara a fazer glu-glu-glu a mais não poder. Alguns chegam até a ficar de pescoço mole de tanto "glugluar". E tem mais - porque os galos cantam de madrugada? Qual a razão para soltarem aquele canto solitário, colorindo de melancolia nossas noites tropicais? Será que cantam à noite, porque não cantam ao chuveiro? Ou cantam porque se sentem perfeitos? Ou porque se sintam satisfeitos? Ou talvez seja por despeito?

 

  Bem, voltando ao assunto, eu sempre tive curiosidade de saber a origem da palavra bissexto. Porque se diz que tal ou qual ano é bissexto? Tá na cara que esse ou aquele ano não é bissexto somente porque o mês de fevereiro tem vinte e nove dias. Assim pensando, durante décadas de minha existência, procurei pela origem dessa palavra. Até que um dia, lá pelo final da década de 70, do século passado, eu encontrei a explicação num artigo do Jornal da Tarde. Com muito amor e carinho, recortei o tal artigo que conservo comigo até hoje, tamanha a importância e o grau de conhecimento de que ele é portador. Dessa maneira e com o propósito de prestar inestimável serviço de utilidade pública, relato abaixo a origem da palavra bissexto.

 

  Tudo começou com os romanos, como não podia deixar de ser. (Notaram que esses romanos estão sempre metidos em nossos hábitos e costumes? Depois eu falo mais a respeito). Prosseguindo, um tal de Numa Pompílio, o segundo dos sete reis de Roma, bem antes de Júlio César, decidiu dar uma geral, na forma como os romanos de seu tempo contavam os dias e os meses. Assim, de acordo com sua decisão os dias do mês passaram a ter três datas fixas: as Calendas, as Nonas e os Idos.

 

  As Calendas correspondiam sempre ao primeiro dia do mês, derivando daí a palavra calendário. Não era uma data muito  apreciada pelos romanos do tempo de Numa Pompílio e de outros tempos, porque eram nas calendas que os juros das dívidas eram atualizados, corrigidos, sempre para mais, claro. Acredito que as calendas, caso ainda existissem como datas, seriam ainda consideradas dias nefastos. Pois, quando chega o primeiro dia do mês é que percebemos o quanto nosso salário é curto. As Nonas correspondiam ao sétimo dia dos meses longos (março, maio, julho e outubro) e ao quinto dia dos demais meses. As nonas eram dedicadas a Juno, não sei porquê. Os Idos, por sua vez, correspondiam ao décimo quinto dia dos tais meses longos (março, maio, julho e outubro) e ao décimo terceiro nos demais meses. Eram consagrados a Jupiter Optimus Máximus, também não sei porquê.Curiosidade - os idos sempre caiam perto da lua cheia do mês a que se referiam. Além disso, os romanos contavam os dias de modo regressivo e inclusivo em relação aos dias nomeados. Dessa forma, o dia 2 de abril era o quarto dia antes das Nonas de Abril - lembrem-se: abril era um dos meses curtos, logo, as nonas caiam no quinto dia. E era o quarto dia, já que a contagem era inclusiva, ou seja, o próprio dia 2 era incluído. Tá difícil? Então, imagina como era complicado dizer ontem, ante-ontem, trás-ante-ontem no tempo de Numa Pompílio. Ainda bem que os romanos não usavam essas expressões como designativos de tempo.

 

  Bem, mas onde entra o bissexto nessa estória. Acontece que, já pela época do Julinho (Júlio César), descobriram que havia um descompasso na contagem do tempo, sendo necessário acrescentar mais um dia a um dos meses. Sinceramente, eu não sei como descobriram isso. A idéia de ano, como um conjunto de dias, que se repetem ao longo do tempo, não é tão complicado de se entender. Basta considerar como o ano o período compreendido pelas estações primavera, verão, outono, inverno, que são fases bem distintas no tempo. Entretanto, dizer que é necessário acrescentar mais um dia, ou então, afirmar que o tempo na Terra está atrasado em relação ao tempo de rotação de nossa galáxia, pra mim, é coisa da Carochinha. Não dá para entender.

 

  Pois bem - então, descobriram que necessário era acrescentar mais um dia em algum dos meses do ano. O mês sorteado para tanto, foi fevereiro. E, em fevereiro, resolveram incluir mais um dia entre os dias 23 e 24. Acontece que o dia 23 de fevereiro é o sexto dia antes das Calendas de Março, lembram-se - contagem regressiva e inclusiva? Assim, esse dia repetido passou a ser denominado dia bissexto, pois era uma repetição, um repeteco, uma reprise, um replay do dia que o precedia  que, como já vimos,era o sexto dia antes das Calendas de Março. Fácil e simples, não é mesmo?

 

  Só para terminar, a semana de sete dias foi implantada bem depois de Júlio César, pelo imperador Constantino. E os dias da semana eram dedicados aos planetas, ao Sol e à Lua, talvez por influência de algumas religiões orientais. Assim temos: domingo (dies solis - dia do Sol), segunda-feira (dies Lunae - dia da Lua), terça-feira (dies Martis - dia de Marte), quarta-feira (dies Mercuri - dia de Mercúrio), quinta-feira (dies Jovis - dia de Júpiter), sexta-feira (dies Veneris - dia de Vênus), sábado (dies Saturni - dia de Saturno). Alguns países, como a França e a Espanha guardarm reminiscências daquela época. A segunda-feira é denominada de Lunes, na Espanha e Lundi, na França.

 

  Antes que eu me esqueça - todos os anos que sejam múltiplos de 4, mas não  de 100, com exceção daqueles que são múltiplos de 400, são bissextos.
 E falando dos hábitos e costumes dos romanos, sabem o que eles faziam com aqueles que afrontavam o poder público? Eles mandavam crucificar, quando não, empalar. Bem que eu gostaria que esse hábito fizesse parte do elenco de penalidades a serem aplicadas a essa corja que se instalou nas três esferas de nosso país - executivo, legislativo e judiciário. Eu adoraria ver os canalhas do Mensalão, crucificados, enfeitando a Via Dutra, ou então, a Marginal do Pinheiros ou do Tietê. Haja cruzes...e Ave Cesar!!!

  


  

sinto-me: sonhando no tempo
publicado por cacá às 01:26
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