Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

EVOCANDO UMA SEGUNDA

    Como toda metrópole, São Paulo tem suas coisas esquisitas. Há alguns meses, numa tarde de sábado, fui surpreendido, na Avenida Paulista, por uma equipe de filmagem. Deviam estar filmando um comercial para uma das lojas da Rua São Caetano. No meio de toda aquela maquinária, vi uma mocinha de vestido, veu, grinalda e buquê. Ela estava em pé, no canteiro da ilha e toda a equipe se movendo a seu redor. Uma imagem exótica - ao fundo, o sol quse se pondo, os carros passando de um lado e do outro da ilha, faziam o veu da noiva flutuar e ela, coitadinha - parecia meio perdida, ora arrumando o buquê, ora segurando o veu. Faltava-lhe uma dama de companhia.

        No dia 24 de dezembro, descia a Brigadeiro, indo para casa de amigos, onde passaria a véspera do Natal. Eram mais ou umas 23 horas e alguns quebrados, o tempo não estava colaborando, caia uma chuva fraca, pegajosa e chata. A Brigadeiro quase deserta. Ao dobrar a esquina, para entrar na Pedroso, vejo um casal de mendigos, sentados no degraus da porta de um bar. Aproveitando a luz do bar ainda aberto, ele segurava um espelho desses pequenos que se acha em qualquer camelô. O espelho apontava para o rosto da mendiga que estava dando retoques no penteado. Notei que faltava o batom para completar a maquiagem.

        Hoje, fui assistir "Evocando os Espíritos", na sessão das 19 horas. O tema era bem interessante - casa assombrada por antigos moradores,há muito falecidos. Os créditos diziam que tudo fora baseado em fatos reais. Seja como for, o filme foi bem fraquinho. Vários fatos ficaram sem explicação, os efeitos especiais, que poderiam dar algum tempero,  eram rudimentares. Só serviu para a gurizada presente dar os gritos de costume. Na volta, peguei o metrô. Sentei-me num dos bancos, no assento voltado para o corredor. Nisso, vejo um garoto caminhando na direção do banco. Sem siquer pedir licença, sentou-se no mesmo banco em que eu estava, no assento ao lado da janela.Foi então, que percebi que o garoto tinha uma expressão estranha no rosto. Além disso, estava com a mão esquerda fortemente fechada, apertando algumas notas de dinheiro. Viajamos assim, por duas estações. Me levantei do banco assim que o metrô foi entrando na estação Paraíso. Então, o mocinho me entregou um pedaço de papel com alguma coisa escrita. Olhei em sua direção, ele permaneceu mudo. Sai do trem e tomei uma das escadas rolantes.  Abri o pedaço de papel e topei com umas palavras escritas, sem qualquer significado. WJRAS TAXP> KKNAW  até onde sei, significa WJRAS TAXP> KKNAW. Cheguei a pensar que pudesse ser propaganda artesanal de escola de digitação. Contudo, poderia ser algum figurante do filme, que conseguira escapar da tela, cansado de participar de filme tão sem WJRAS TAXP> KKNAW.

sinto-me:
publicado por cacá às 04:59
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