Terça-feira, 13 de Março de 2007

CERTA SEXTA-FEIRA, APÓS O EXPEDIENTE...

Sexta-feira da última semana, já havia deixado o trabalho e atravessava o Anhangabaú, na direção da estação São Bento. Um pouco antes de chegar onde era outrora o cruzamento com a São João, há uma churrascaria, já bem conhecida do pessoal que trabalha naquelas redondezas. Como meus arquivos está abarrotados e ainda não arrumei um tempo para fazer uma triagem, tenho descartado as informações que não são necessárias ou vitais. Sendo assim, não me perguntem agora o nome da tão conhecida churrascaria. Quem sabe, depois de por no ar este post, eu consiga lembrar.

 O chão, naquele trecho,  é forrado dessas pedrinhas, que chamam de mosaico português. Não sei descrevê-las e para situá-lo melhor, digo que a calçada do Trianon e todo ele afinal, é feita desse tal mosaico. Um pouco antes de chegar na suposta esquina, há uma banca que vende revistas e livros usados. Toda a quarta-feira, à tarde, junta um punhado de homens, jogando baralho.  Nessa sexta-feira, que não era dia de baralho, vi um garotinho, de uns quatro ou cinco anos, próximo à banca, agachado, pegando alguma coisa do chão. Quando me  aproximei, notei que eram  sementinhas que as palmeiras e os coqueiros do vale deixam cair nessa época do ano. Após pegar não sei quantas sementes, o garotinho se levantou e dirigiu seu olhar para uma das janelas da churrascaria. Nessa janela, duas mocinhas, com os braços apoiados no parapeito, observavam o garotinho. Uma delas, a de rosto mais redondo, travou com o garotinho  um diálogo incompreensível para mim. Consequência ou não dessa conversa, o menino começou a atirar as sementinhas que apanhara na direção das jovenzinhas.Jogava uma a uma e, devido a distância que os separava, claro era que o garotinho não tinha a mínima chance. E vejam,  que ele dava o máximo de si - fungava, concentrava o máximo de força nos pulinhos que dava. Mas, tudo em vão - as leis da física são implacáveis, se bem que eu não sei que leis seriam aplicadas ao caso em questão. Sempre fui um péssimo aluno em matemática e suas congêneres.

 A cada esforço inútil do menino, as mocinhas riam, aplaudiam, davam gritinhos, incentivavam o pequeno quixote. Mulheres - sempre levando os homens a testar seus próprios limites! No meio disso tudo, um raio de sol, conseguiu furar o bloqueio dos prédios e se jogou sobre a cena. Um raio de sol meio débil, anêmico, iluminando e dando um colorido novo para o menino, para as mocinhas e para a parede cor de telha da churrascaria. Tudo foi tão rápido e tão contundente, que me senti transportado para uma viela de uma cidade árabe. Não me pergunte qual - como disse, meus arquivos precisam de uma séria faxina e no final de contas, as cidades árabes são muito parecidas.E porque árabe e não holandesa, por exemplo? Influência das pedrinhas portuguesas, creio eu e da túnica à la arabe que mandei fazer e que ficara pronta na quinta precedente.Cheguei até a imaginar que o garotinho e as mocinhas, devidamente transformados em personagens das Mil e Uma Noites, estavam dialogando em código. Uma sementinha atirada - "o sultão quer te ver essa noite, Latifa. Vá, mas vá sozinha!". Duas sementinhas - "pode levar sua amiga, a Fátima. O sultão tá a fim de ... "(impublicável)!

 Quando voltei ao chão, o garotinho estava sendo conduzido, a contragosto, na direção da banca. Esperneava, nos braços do que supus ser seu pai. As mocinhas acenavam e sorriam....Ainda bem - do jeito que as coisas iam, eu poderia ter entrado na estória e descoberto os aposentos do sultão. E dai, quem me conhece que o diga - nem Alah seria capaz de imaginar o que poderia acontecer..

sinto-me:
publicado por cacá às 03:33
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