Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007

FAZENDO NECESSIDADES EM MARROCOS

As informações oferecidas pelos guias turísticos,sejam impressos, sejam em carne e osso, normalmente tratam dos aspectos culturais e de lazer de um certo local e também de suas belezas naturais. Dificilmente, um guia turístico fornece informações sobre hábitos de higiene de um povo ou de uma certa região ou país. Creio que isso seja uma falha lamentável, já que o conhecimento de alguns desses hábitos ajudaria e muito os pobres mortais que àquele local se dirigiram para gastar a graninha, amealhada a duras penas no transcorrer de sabe-se lá quanto tempo. Por exemplo - nós, brasileiros, sabemos que em qualquer local ou muquifo desse país, conseguir tomar um banho não é coisa de outro mundo. Sabemos que tomar um banho, seja de chuveiro, seja de caneca e bacia ou até mesmo no córrego, tanque, lago ou rio mais próximo é coisa simples. Basta apenas perguntar pro primeiro que aparecer. Os brasileiros estão entre os únicos, senão os únicos povos do mundo que têm o hábito do banho diário. Chingar a mãe e ficar sem tomar banho são coisas que por vêzes terminam em briga nessa terra de Santa Cruz. Já o mesmo não acontece quando o cidadão, em plena viagem, sente que precisa depositar algumas "flores" no vaso sanitário. Não é sempre que você encontra, por essas estradas que cortam esse torrão, um banheiro limpo, cheirosinho, com um vaso sanitário rescendendo à limpeza. Via de regra, são quase que pocilgas o que nos é oferecido como local para que façamos nossas necessidades, sejam elas formadas por materias pastosos ou líquidos. Os cidadãos do sexo feminino, coitadinhos, são os mais prejudicados, principalmente quando o material a ser expelido pertence ao grupo dos líquidos. A natureza, nesse pormenor, favoreceu aos homens - em qualquer matinho, esquina meio escura, atrás de um poste, arbusto ou árvore o homem pode abrir a braguilha e "tirar água do joelho", em outras palavras, dar uma boa mijada, sem ser incomodado. Para a mulher a coisa já é mais complicada. Além de não poder ser em qualquer matinho ou capoeira, e muito menos atrás de postes ou árvores, a mulher precisa, necessáriamente enxugar "o que foi usado". Caso contrário, as consequências costumam ser desastrosas para ela e para os que a rodeiam. E é aí que mora o perigo - se essa pobre filha de Eva não estiver portando um lenço de papel ou algo que o valha e, se não tiver conhecimentos básicos sobre plantinhas do mato, ela corre um grande risco de enxugar "o que foi usado" com uma felpuda e macia folha de urtiga, vegetalzinho abundante nos matinhos, capoeiras e quiçaças brasileiras. E isso ocorrendo, não se sabe o que é pior - ficar na fedentina, ou passar o resto do dia se coçando mais que macaco no qual jogaram pó-de-mico. Quem já teve uma parte de seu corpo atingida por esse pequeno exemplar do reino vegetal, sabe bem do que estou falando*.

Bem, essa longa introdução foi necessária para dizer-lhes que, se algum dia forem passar umas férias em Marrocos, não se esqueçam de colocar o papel higiênico entre os ítens de primeira necessidade a comporem sua bagagem. Aliás, o papel higiênico deveria nos acompanhar, fôssemos ou não ao Marrocos. Já cansei de chegar de viagem em casa de amigos e depois de fazer "aquilo", ter que me valer de uma folha velha de jornal, passagem da empresa de ônibus ou avião, escova de dente (eco), meia ou cueca velha ou até mesmo cartão de visita, para deixar o "lilico" minimamente limpo e saudável, já que cheiroso, é impossível.

Entretanto, porque dar um especial destaque ao Marrocos? Bem gentem, dias atrás li a respeito de um hábito meio esquisito dos marroquinos e foi então que conclui ser o papel higiênico um material que todos dever ter ao alcance da mão, caso queiram conhecer aquele país do mundo islâmico. A tal matéria afirmava que no Marrocos, os banheiros públicos principalmente, não são dotados de vasos sanitários como os nossos, onde você senta e deixa rolar. Lá, aqueles objetos são idênticos àqueles encontrados nos banheiros de algumas fábricas, onde você precisa ficar de cócoras, ou de "coque" para expelir suas "flores ou pérolas".

Prosseguindo, a matéria relatava que a característica marcante desses banheiros públicos era a inexistência do papel higiênico. Em seu lugar, na parede do lado direito e do lado esquerdo (para os canhotos) havia uma fenda suficientemente comprida e larga para que se pudesse nela introduzir a mão. Em cima da fenda, havia um aviso onde se lia a seguinte mensagem escrita na língua local, em francês, inglês e espanhol: "introduza sua mão nessa fenda para limpá-la". Obviamente se conclue, com uma certa dose de asco e horror, que no Marrocos não tem jeito - depois que usou, tem que limpar com os dedos da mão. E, ao mesmo tempo fica no ar uma questão - como é executado esse processo de limpeza? O que existe na tal fenda misteriosa, que basta introduzir as mãos para tê-las limpas, logo em seguida?

Na sequência, o artigo esclarece que atrás dessas obscuras fendas fica uma criança, menino ou menina pouco importa, com um porrete nas mãos. Nota - a Unicef deveria fazer alguma coisa, pois trata-se aberta e claramente de exploração descarada do trabalho infantil. Pois bem, depois que o incauto viajante introduz sua mão maculada pelos seus próprios dejetos (argh, eco) o garotinho ou garotinha dá uma tremenda porretada nos dedos do pobre e infeliz viajante. Ora, todo o mundo sabe o que acontece quando recebemos uma pancada nos dedos da mão. Automaticamente, como um ato reflexo e involuntário, enfiamos os dedos atingidos na boca à procura de alívio para a dor lancinante. Evidentemente, esse gesto tem como consequência deixar os dedos limpos, esclarecendo, portanto, o mistério encerrado no aviso, acima das fendas: "introduza sua mão nessa fenda para limpá-la".

Finalizando,conclue-se que se tal método é eficiente para resolver o problema da falta de papel higiênico, no entanto, ele cria outro - o da boca suja e mal cheirosa. E com isso, podemos afirmar que, além do papel higiênico, é de suma importância o turista colocar creme dental e algum esprei antibacteriano em sua bagagem, quando for ao Marrocos. Para falar a verdade - é melhor não ir ao Marrocos. Pra quê ir a um local tão distante para passar por situação tão vexatória? Pra limpar com as mãos, a gente faz por aqui mesmo, sem tanto custo e sem tanto estresse.

*OBS.: Fica aqui uma sugestão para a medicina genética ou para a mãe natureza - que a terminação, através da qual a mulher deixa rolar a sua "cascata dourada", fique no dedo mindinho. Assim, quando sentir que a hora fatal se aproxima, basta apenas correr para um cantinho, esticar o mindinho e .... Isso, sem contar na possibilidade de usar essa capacidade como arma contra machos mal intencionados que, usando palavras maliciosas e chulas ou fazendo gestos obscenos, humilham e constrangem essas pobres criaturas de Deus

sinto-me:
publicado por cacá às 09:15
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3 comentários:
De Darling a 30 de Maio de 2009 às 16:04
Caramba!!! Seu comentário sobre a higiene em Marrocos desanimaria qualquer um que não conhecesse pessoas , inclusive brasileiras, que moram lá! Já há, sim, banheiros ocidentalizados! É óbvio que aquele buraco no chão ainda existe, mas isso até por aquí, em locais remotos... Vamos conhecer as belezas deste país (mesmo que levando nosso papel higiênico na bolsa, é claro!)
Vc não falou também sobre a baixíssima criminalidade e tantas outras coisas boas de lá... Mas valeu, obrigada pelo alerta...
De cacá a 2 de Junho de 2009 às 04:15
Darling, isso não é nada. Os afáveis e hospitaleiros marroquinos, tratando-se de higiene pessoal, dão de dez a zero nos argentinos e bolivianos. O que eu vi por lá, cruz credo.
De omar a 4 de Agosto de 2014 às 00:06
"Grande artigo e óptimo blog! Deixe aproveitar este seu espaço de comentários para apresentar Viagens em Marrocos.
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