Quarta-feira, 21 de Março de 2007

E NÃO HAVIA SAMAMBAIAS...

Se conheceram na residência médica da Santa Casa de Misericórdia "São Lucas Evangelista". Falando assim, dá a impressão que os dois chegaram no mesmo dia e quase no mesmo horário, no mesmo local. Mas não foi isso que aconteceu,  pois Alain ingressou primeiro e alguns meses depois, Delion por lá apareceu, numa manhã chuvosa e meio fria de setembro. Sendo assim, podemos dizer que foi Alain que conheceu Delion, quando este por lá apareceu numa manhã fria e chuvosa de setembro. Durante as primeiras semanas nada aconteceu e nem poderia, já que ambos estavam por demais atarefados e por demais preocupados com a rotina da residência. No entanto, é sempre assim - quando a novidade se vai, o campo fica aberto de modo que se possa prestar mais atenção naqueles com quem partilhamos lugares e horas. E foi assim que Alain, ao percorrer um daqueles corredores de um dos andares, não pode deixar de perceber um rosto bem feito, que como tantos outros e para quase todo o mundo passaria despercebido, menos para ele. Já estávamos na metade de novembro, era um dia meio quente, meio comum como todos os outros dias de novembro, quando Alain notou a barba negra e bem feita que contornava aquele rosto. E foi nesse dia de novembro, meio quente e tão comum, que Alain conheceu, ou melhor, percebeu Delion.

 Da percepção à paquera a velocidade foi um pouco menor que a da luz. Contudo, o medo, a insegurança, a timidez provocou abismos entre eles, que talvez nem  a velocidade da luz pudesse vencer. Só se olhavam, não se tocavam, nem siquer em cirurgia.No entanto, maior que o medo, a insegurança e a timidez é a força e velocidade do amor, dizem. E maior que tudo isso junto é a curiosidade, a vontade de saber das amizades. Certo dia, antes do Natal, voltando para casa, numa carona oferecida por Estela, Alain fica sabendo que seu interesse por Delion não passara despercebido por ela, Estela, e nem pelos seus colegas de turma, quer fossem do sexo masculino,  do sexo feminino e do hesitante também. E o que era melhor - Delion já deixara claro para a própria Estela, o seu interesse por Alain. E o que era melhor  ainda- o dia seguinte seria uma sexta-feira; e o que era o máximo - ele e Delion estariam trabalhando no mesmo plantão. Nessa noite, o medo, a insegurança e a timidez tiraram folga. A coragem, a certeza e audácia bateram o ponto naquele coração.

 Clareou a sexta-feira, a sexta-feira se iluminou e espreguiçou, a sexta-feira se encolheu e escureceu. Já passava da uma hora da manhã de sábado, quando os dois, finalmente, se encontraram na sala de descanso dos plantonistas. Já sabiam um do outro através dos préstimos de Estela & Amigos, Cia Ltda. Como é o natural e o esperado nessas circunstâncias, trocaram olhares e sorrisos de pura cumplicidade. Apostavam quem seria o primeiro a romper o silêncio. O amor sempre começa com uma derrota. E foi ele, Delion, o derrotado -  sem mais, nem porquê, aproveitando um dos espaços vazios deixado pela sequência dos segundos disse: "eu sempre gostei de meninas, mas desde que te conheci, comecei a gostar de meninos".No espaço vazio seguinte, estavam de lábios colados, num beijo quente, selando assim um acordo de paz. Desse dia em diante, os encontros passaram a ser mais frequentes, aproveitando todos os espaços vazios deixados pelas pessoas que transitavam por aquele local - degraus que ligam um andar a outro, sala dos plantonistas, vazio dos elevadores, vazio do estacionamento. No entanto, o preferido era um quartinho, um cômodo discreto e apagado onde se guardava o material de limpeza. Um amor até o momento, discreto, rápido e com cheiro de limpeza. Se olhavam, sorriam, trocavam algumas palavras e sempre que podiam, se tocavam, se apalpavam e, se possível, se amassavam. Desses momentos de profunda e calorosa afetividade alguns acidentes aconteciam, como por exemplo, o fato de Alain surgir horas depois, com a boca vermelha e irritada, pela barba e bigode rígidos de Delion. Para disfarçar, dizia tratar-se de uma espécie de alergia que tinha desde garoto e que tornava-se mais violenta no verão. Uns acreditavam, outros nem se importavam, ficando bem claro que Estela & Amigos, Cia. Ltda. não disfarçavam e fofocavam , na tentativa de descobrir quando e como. Quando iriam contar, quando iriam morar juntos, como seria a festa, como seria a moradia, quando, como, quando, como.

 Essa atmosfera de cobrança apressou um pouco os acontecimentos e, seja como for, o fato é que assim que iniciou o outono, Estela & Amigos, Cia. Ltda. foi oficialmente notificada da união deles dois, que na realidade já acontecera nos planos carnal e espiritual, mas cuja materialidade se iniciaria dentro de uma semana, localizando-se num aprazível apartamento de dois quartos, não muito longe dali. Além disso, a notificação deixava bem claro que aquele local, desde já denominado "nosso lar" seria o abrigo para seu afeto e escola para sua relação. E assim, sem fazer do tempo uma escultura estilo rococó, mudaram-se para o "nosso lar", onde fizeram a esperada festa, que serviu de alimento durante muitos meses para os sócios majoritários ou não de Estela & Amigos, Cia. Ltda.

 ... E foram felizes, não para sempre e sim por quatro anos, quando tudo acabou. Foram felizes, porque não havia razões para não o serem. Gostavam um do outro, o "nosso lar" foi realmente o abrigo para seu afeto, foi a escola para sua relação. Nele se desentenderam, se reconciliaram, aprenderam e cresceram. As estórias de amor com final infeliz, como é do costume geral, são mais atraentes - talvez seja pelo fato de que a infelicidade vista um traje de gala, com muitos detalhes e a felicidade surja num simples e despojado tubinho básico.

 ...E tudo se acabou, porque tinha que se acabar. Para uns o amor é uma árvore que com o tempo cresce, se fortifica, se enraíza, quase se eterniza. Para outros, o amor são como os vasos de crisântemos, comprados nas floriculturas. São belos, viçosos, irradiam vida. Mas, vêm com prazo de validade determinado. Um belo dia, sem saber porquê, você levanta e dá de cara com flores que já eram. E,  Alain e Delion formavam um lindo e formoso vaso de crisântemos. Estela & Amigos, Cia. Ltda. não conseguiu apurar com precisão como terminou, como foi o fim daquela relação. A maioria dos quandos e comos aguardam até hoje respostas mais definitivas, mais esclarecedoras. Uma das poucas coisas que foram apuradas, aflorou numa conversa mantida entre Alain e um dos sócios minoritários, na saída de uma sessão de cinema. Ao ser questionado sobre um dos inúmeros "comos", Alain, com concisão e laconismo de consultório, respondeu que não havia samambaias entre o que foi dividido. "Além disso, declarou, "não gostava dos azulejos do banheiro mesmo".

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Terça-feira, 20 de Março de 2007

ENQUANTO ISSO, NUMA SALA DE SEXO-GAY CHAT

 

De "TÔ A FIM" para "TOPO TUDO" - você toparia me comer, no sofá, de quatro, ouvindo Sandy e Júnior?

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Terça-feira, 13 de Março de 2007

CERTA SEXTA-FEIRA, APÓS O EXPEDIENTE...

Sexta-feira da última semana, já havia deixado o trabalho e atravessava o Anhangabaú, na direção da estação São Bento. Um pouco antes de chegar onde era outrora o cruzamento com a São João, há uma churrascaria, já bem conhecida do pessoal que trabalha naquelas redondezas. Como meus arquivos está abarrotados e ainda não arrumei um tempo para fazer uma triagem, tenho descartado as informações que não são necessárias ou vitais. Sendo assim, não me perguntem agora o nome da tão conhecida churrascaria. Quem sabe, depois de por no ar este post, eu consiga lembrar.

 O chão, naquele trecho,  é forrado dessas pedrinhas, que chamam de mosaico português. Não sei descrevê-las e para situá-lo melhor, digo que a calçada do Trianon e todo ele afinal, é feita desse tal mosaico. Um pouco antes de chegar na suposta esquina, há uma banca que vende revistas e livros usados. Toda a quarta-feira, à tarde, junta um punhado de homens, jogando baralho.  Nessa sexta-feira, que não era dia de baralho, vi um garotinho, de uns quatro ou cinco anos, próximo à banca, agachado, pegando alguma coisa do chão. Quando me  aproximei, notei que eram  sementinhas que as palmeiras e os coqueiros do vale deixam cair nessa época do ano. Após pegar não sei quantas sementes, o garotinho se levantou e dirigiu seu olhar para uma das janelas da churrascaria. Nessa janela, duas mocinhas, com os braços apoiados no parapeito, observavam o garotinho. Uma delas, a de rosto mais redondo, travou com o garotinho  um diálogo incompreensível para mim. Consequência ou não dessa conversa, o menino começou a atirar as sementinhas que apanhara na direção das jovenzinhas.Jogava uma a uma e, devido a distância que os separava, claro era que o garotinho não tinha a mínima chance. E vejam,  que ele dava o máximo de si - fungava, concentrava o máximo de força nos pulinhos que dava. Mas, tudo em vão - as leis da física são implacáveis, se bem que eu não sei que leis seriam aplicadas ao caso em questão. Sempre fui um péssimo aluno em matemática e suas congêneres.

 A cada esforço inútil do menino, as mocinhas riam, aplaudiam, davam gritinhos, incentivavam o pequeno quixote. Mulheres - sempre levando os homens a testar seus próprios limites! No meio disso tudo, um raio de sol, conseguiu furar o bloqueio dos prédios e se jogou sobre a cena. Um raio de sol meio débil, anêmico, iluminando e dando um colorido novo para o menino, para as mocinhas e para a parede cor de telha da churrascaria. Tudo foi tão rápido e tão contundente, que me senti transportado para uma viela de uma cidade árabe. Não me pergunte qual - como disse, meus arquivos precisam de uma séria faxina e no final de contas, as cidades árabes são muito parecidas.E porque árabe e não holandesa, por exemplo? Influência das pedrinhas portuguesas, creio eu e da túnica à la arabe que mandei fazer e que ficara pronta na quinta precedente.Cheguei até a imaginar que o garotinho e as mocinhas, devidamente transformados em personagens das Mil e Uma Noites, estavam dialogando em código. Uma sementinha atirada - "o sultão quer te ver essa noite, Latifa. Vá, mas vá sozinha!". Duas sementinhas - "pode levar sua amiga, a Fátima. O sultão tá a fim de ... "(impublicável)!

 Quando voltei ao chão, o garotinho estava sendo conduzido, a contragosto, na direção da banca. Esperneava, nos braços do que supus ser seu pai. As mocinhas acenavam e sorriam....Ainda bem - do jeito que as coisas iam, eu poderia ter entrado na estória e descoberto os aposentos do sultão. E dai, quem me conhece que o diga - nem Alah seria capaz de imaginar o que poderia acontecer..

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publicado por cacá às 03:33
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Domingo, 11 de Março de 2007

SE A GRIFE É "DA SILVA" ...

 

Li no Estadão de uns quinze dias atrás, que algumas usinas de cana, do Nordeste, estão encontrando dificuldades no recrutamento de pessoas para cortar cana. Não que os candidatos não aparecessem para o preenchimento das vagas. Os candidatos surgiam sim, em número bastante expressivo. O grande problema é que a maioria deles, não queria ser registrada, queria evitar qualquer vínculo ostensivo com as usinas. E o motivo para essa recusa - é que tendo um emprego com carteira assinada, eles perderiam o direito ao Bolsa Família e, provavelmente, a outras "bolsas"também. Por vêzes, penso que o governo do Sr. Lula da Silva, acha que os brasileiros todos pertencem a classe dos marsupiais. É bolsa de tudo quanto é jeito, tamanho, cor e para todos os gostos.

 

 Segundo a "brilhante" cúpula do PT, o bolsa familia foi criado com uma finalidade eleitoreira - ou seja - criar uma clientela cativa, que garantisse a reeleição do Sr. Inácio da Silva. Claro, que sua fachada seria a promover a justiça e equidade social: "nunca antes nesse país se distribuiu tanto..." deve ter sido essa a introdução do diploma legal que criou o bolsa familia .Porém, para todo o mundo que tinha pelo menos dois neurônios funcionando, 'tava mais que na cara que o PT estava criandoum curral eleitoral, uma fonte de onde jorrariam votos certos, na hora certa. Uma releitura do voto de cabresto, uma cara nova para o velho coronelismo. Ave PT!!!

 

 O plano deu certo - o Sr. da Silva foi reeleito em segundo turno, com uma votação expressiva oriunda das áreas onde o bolsa família entrava na composição da renda familiar. Compreensível até - num local onde comida, prato, garfo, faca, são elementos pertencentes ao mundo da imaginação, ter rango uma vez por dia  é trazer o céu para a terra. E faz do autor de tamanha proeza,  uma figura mítica do porte de um Prometeu, Hércules, Moisés ou do Messias, salvador  e redentor.

 

 Em princípio, não sou contra medidas assistencialistas. Quando inseridas dentro de um projeto de govêrno, o assistencialismo pode delinear com mais clareza a amplitude de suas medidas e permitir uma melhor distribuição de recursos.Contudo, não me parece ser esse o caso do Bolsa Família. Da forma como está concebido, isolado de um projeto de promoção social,  com objetivos apenas eleitoreiros, ele vem mostrando o lado mais perverso do assistencialismo - o de retirar de seu beneficiário a dignidade, transformando-o em número que virá a ser computado nas próximas eleições. Transforma o cidadão em mendicante de carteira e, como me parece que o sonho do senhor da Silva é o de ficar uns vinte anos no poder, o resultado sombrio desse malfadado programa será o de criar uma geração de mendicantes. Pessoas viciadas a tudo esperar do Estado, sem crítica, prontas a obedecer às ordens de seu mecenas, contanto que esse mecenas garanta-lhes a mera sobrevivência física.

 

 E, nessa altura, o que pensar do partido político que engendrou essa medida? Do P.T.,  fico pensando se esse grupo, essa agremiação não vai além de um amontoado de pessoas e idéias, com um único alvo pela frente - o poder! Não ficaria nenhum pouco surpreso se daqui a algum tempo os fatos nos levarem à conclusão de que o Partido dos Trabalhadores não passou de uma grande e bem montada farsa. Para se garantirem no poder, rasgaram e cuspiram em seus princípios, outrora defendidos à unhas e dentes. O senhor Inácio, certa vez, teve o desplante, o atrevimento de declarar que jamais fora uma pessoa de esquerda! Como se isso não fosse suficiente, patrocinaram o que talvez tenha sido o pior momento do Congresso Nacional - o mensalão, com evidente desejo de degradar, de desmoralizar o Legislativo, criando nos corações e mentes dos menos informados que a idéia de que o Congresso não passa de um bando de aproveitadores e ladrões dispostos a tudo,  menos legislar e vigiar o Executivo. Isso, sem considerar a expulsão dos deputados e senadores que discordaram do partido, sobretudo quando da votação da reforma da Previdência (Heloísa Helena, Luciana Genro, o deputado Babá); sem contar também, a absolvição do deputado petista, mensaleiro confesso!.

 

 A História é a ciência que estuda as relações entre os vários grupos humanos e o poder - a forma como lidam com ele, como se organizam para conquistá-lo e dividi-lo. Como seus atores estão em todos os segmentos sociais, cada qual tem uma visão bastante peculiar. Somente o correr do tempo é que proporcionará uma visão mais homogênea, da qual se possa o deduzir o  fio da meada. Fernando Collor, quando presidente, foi duramente criticado por suas medidas que iniciaram o processo de abertura econômica. Hoje, já se comenta que sem aquelas medidas estaríamos em situação pior. Dentro de dez, quinze ou talvez vinte anos, o que se poderá dizer desses oito anos de governo do senhor da Silva? Sinceramente, eu nada consigo pensar - para todos os ângulos para os quais me dirijo, minha mente é ofuscada pela imagem daquela deputada-bailarina, símbolo eloquente da administração, da grife do senhor  "da Silva".

 

 

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Segunda-feira, 5 de Março de 2007

FRASE DA SEMANA

"Quando estiver no buraco, lembre-se que ainda não há terra por cima"(frase atribuída a Dolores Gonçalves da Costa, mais conhecida como Dercy Gonçalves. Natural de Santa Maria Madalena, estado do Rio de Janeiro, nasceu em 23.07.1907. Graças a si mesma, completará 100 anos, em 23 de julho próximo)

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publicado por cacá às 03:14
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SERÁ QUE MUDOU?

"Todos adoram um passatempo, mas ninguém se casa com um deles" (do filme Wooman of that kind, Hollywood, 1959)

 

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publicado por cacá às 02:54
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Sexta-feira, 2 de Março de 2007

ESTÓRIA DE AMOR PARA MENINOS GAYS

Desde o comecinho da criação, o Sol sempre esteve girando pelo universo afora, carregando com ele todo o sistema solar, que por sua vez, desde o comecinho da criação, sempre girou em torno do Sol.Entretanto, meninos, nem sempre foi assim. Contam lendas antigas, muito antigas que um dia o sol enlouqueceu, ficou paradinho no céu. E sabem porquê? Então, eu vou contar...

Um dia, não se sabe como, nem porquê, o astro-rei se apaixonou. E o fez por um menino, do qual nada se sabe, tamanho foi o furor causado pela paixão solar. Pois não é que o rei dos astros, começou a interferir na divina ordem das coisas? Parou de girar, imaginem... e isso, para poder ficar mais tempo junto de seu bem-amado, vigiando-o, adorando-o. Claro que isso provocou uma grande confusão na vida dos desafortunados habitantes da Terra, naqueles tempos.

Contudo, se fosse somente isso, até que daria para aguentar. Acontece que o tal menino era dos mais endiabrados que se conhecia e, não tinha regra para nada, dormia quando bem entendia, onde bem estivesse e o quanto queria. O apaixonado Sol, claro que entrou no ritmo do menino e então pirou. E sua piração transformou em caos as coisas aqui na Terra. Quebrou a sequência dos dias e noites, a primavera e verão mudaram de epoca, a Lua ,coitadinha, vivia se queixando, pois  a todo o momento se enganava e entrava em quarto errado. Todos, mas todos mesmo, protestaram - astrõlogos e astrônomos. Miguel, Gabriel e Rafael e também Abrahão, Isaac e Jacó. Os profetas também protestaram, pois eis que estavam em plena pregação e zás! eram surpreendidos por um eclipse. Houve até um protesto de umas senhoritas da época, pois não podiam mais se bronzear às margens do Mar Morto, com a mesma regularidade de outrora! A situação atingiu o clímax quando a organização "Sic Transit Gloria Mundi", uma espécie de "green peace" da época, ameaçou apelar para o auxílio de Judas Iscariotes, Pôncio Pilatos e Alexandre, o Grande.

Deus então, achou que o babado ia ficar feio e resolveu se mexer. Ordenou a todos os anjos que convocassem os envolvidos até as barras do divino tribunal.  Mas, o Sol nem deu bola, perdido que estava em seu devaneio amoroso. Seu julgamento, então, ocorreu a revelia. Após ouvir as partes implicadas, o Altíssimo decretou a sentença - por sinal sui-gêneris, como são as sentenças divinas. O Sol, por sua rebeldia e paixão, seria castigado com o desaparecimento do menino. Que  coisa horrível, meu Deus...

A xereta da Estrela Dalva, que fora ao julgamento sem ser convidada, foi em disparada contar pro Sol. Este quando soube, sentiu uma dor profunda, cortante.  E saiu como um louco, varrendo o espaço à procura do menino. E assim, deixou de ser um astro fixo, voltando a girar pela imensidão. Movido pelo amor e pela dor, ele aparece e desaparece no espaço, varrendo céus e terra com sua luz, na tentativa inútil de encontrar o seu desaparecido amor!

Com tudo isso, o sistema heliocêntrico foi restaurado substituindo o geocêntrico. E isso deu uma briga desgraçada entre Ptolomeu e Galileu, com Inquisição pelo meio, mandando queimar deus e todo o mundo. E depois vieram Colombo e os hititas, um povo meio esquisito, que morava lá pelos lados da Ásia Menor. Isto sem falar da briga que houve entre Iracema e Moema, por causa do José de Anchieta. Ai então, os holandeses chegaram e deram um baita susto em todo o mundo e,...bem, isto é uma outra estória, porque agora acabou-se o que era doce, quem não comeu, não se "arregalou-se"!

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publicado por cacá às 20:03
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