Segunda-feira, 30 de Abril de 2007

OS TREZENTOS

  Já fazia algum tempinho que eu não ia ao cinema. Numa quarta-feira, mais ou menos quinze dias atrás, resolvi que iria ver "Os Trezentos". Por ser de formação católica e por gostar de História, principalmente quando se trata de assuntos ligados aos gregos e romanos, vi filmes como "Quo Vadis?", "Demetrius, o Gladiador", "O Manto Sagrado", "Sansão e Dalila", "Ben Hur"e como não poderia deixar de ser "Os Dez Mandamentos". Meu Deus - estar em frente a uma tela imensa, tomando quase toda a parede do cinema, vendo o mar se abrir, é uma experiência que não se esquece com facilidade. Naquela noite de hum mil novecentos e bolinha, eu quase não dormi direito, assombrado com o que vira. Eta, tempo bom! Como não vira "Tróia" e "Alexandre", como perdera vergonhosamente "As Cruzadas", decidi honrar meu passado, e corri para o cinema, pois além de estar um pouco atrasado para sessão, era dia de meia-entrada. Os assuntos do bolso, são urgentes, não é mesmo pessoas?

 

    Gente - o filme no que se refere ao tratamento das imagens, é nota dez. Eu fiquei impressionado com aquela mistura de estória em quadrinhos e filmes comuns, de verdade, se é que vocês estão me entendendo. O resultado é muito, mas muito interessante. Fiquei imaginando ver filmes como ""E o vento levou", “O Último Imperador”  com aquele tipo de tratamento. Ia ser um arraso, com toda a segurança. Porém - em relação ao conteúdo, à mensagem que passa - é um terror. Maniqueísta a mais não poder. Como todos já devem  saber, o tema de "Os Trezentos" é sobre a resistência do exército de Leônidas, rei de Esparta, ao exército de Xerxes,.no desfiladeiro das Termópilas. No final da estória, Leônidas entregou a cambuquira, mas deu um trabalhão danado pros persas, que contaram com a providencial  ajuda de um espartano traidor.

 

    Pois bem - o filme principia fazendo uma espécie de apresentação do que seria a sociedade espartana daqueles dias. Uma sociedade eminentemente masculina, regida por atividades ligadas à guerra e à conquista. Em consequência,  seus valores são coisas como força física, resistência à dor, lealdade, obediência, respeito à hierarquia, disciplina. Como é previsível,  nesse tipo de organização social não há lugar para a sensibilidade, a incerteza, a dúvida. O papel das mulheres é o de ser simples coadjuvantes de seus maridos, mulheres verdadeiras, para parirem homens verdadeiros, no dizer da rainha de Esparta, mulher de Leônidas. Homens verdadeiros e saudáveis, pois aqueles que tem a desgraça de nascerem com alguma imperfeição física, são descartados imediatamente. Homens verdadeiros, saudáveis, que não perdem tempo com aquelas frescuras dos filósofos pederastas de Atenas, como é dito numa certa altura do filme. Com esse pano de fundo, no filme tudo o que se refere à Esparta é tratado de forma a ressaltar cores claras e brilhantes, a austeridade dos ambientes e da vida diária, a devoção à cidade,  a retidão e pureza de caráter.

 

    E do outro lado, como eram coisas? O outro lado, no caso, refere-se aos inimigos de Esparta e por extensão da Grécia. Como é sabido,  Xerxes, rei da Pérsia, estava muito a fim de dar uma sova daquelas nos gregos e colocar Esparta, Atenas e a Grécia todinha sob seus domínios. Seguindo a lógica maniqueísta de dividir as coisas de modo estanque, Xerxes, os persas e seus aliados encarnam  a figura do Mal. Desse modo, se em Esparta tudo era muito claro, visível e reto, o exército de Xerxes surge como a personificação do obscuro, daquilo que não se vê porque não se deve , da deformação e da iniquidade. Os componentes do exército persas são figuras assustadoras, monstruosas,  selvagens e sanguinárias. Apesar de tudo isso, há um diferencial entre um e outro exército – enquanto que do lado dos espartanos impera uma monotonia no tocante aos tipos humanos, do lado dos persas há uma grande multiplicidade: negros, brancos, feios, mais ou menos, cabeludos, sem cabelos, etc. O próprio Xerxes é um verdadeiro carro alegórico, se comparado à figura de Leônidas: muito alto, voz trovejante, todo enfeitado de colares, pulseiras, brincos, piercings, cabeça raspada, sombrancelhas feitas, unhas compridas e esmaltadas.  Coitado do Rodrigo Santoro – foi transformado numa bichona.  Contudo, é assim que o Tio Sam vê o resto do mundo – como uma ameaça, um perigo que pode  a qualquer momento ataca-los. Até a queda do Muro de Berlim esse inimigo tinha um nome – União Soviética e seus aliados. Entretanto, depois da queda do Muro e, principalmente, depois do 11 de Setembro, esse inimigo perdeu a identidade e a visibilidade. Pode ser qualquer um, atacar a qualquer hora e de qualquer lugar. Há mais de quarenta anos, esse inimigo eram os vietcongs. Estavam no sudeste da Ásia. Tempos depois, o inimigo passou a se chamar Kadafi, Saddam, Arafat. Estavam na Líbia, Iraque e Palestina. Hoje é Bin Laden e nunca se sabe onde ele está. Ora surge numa montanha do Afeganistão, ora numa aldeia do Paquistão. Quem viu “Babel” sabe bem o tipo de paranóia que isso desperta em povos e seus governantes.

 

    Bem, resumindo – o filme vale mesmo pelo visual inovador, pelo menos para mim. Entretanto, o seu conteúdo é um retrato autêntico do imaginário norte-americano sobre si mesmo, enquanto povo e enquanto nação, nesses tempos bicudos de George Bush.  O único senão – nos créditos não aparece o nome dele.

 

sinto-me:
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Sábado, 28 de Abril de 2007

E O LOBO MAU USAVA CAMISETA VERMELHA E BONÉ PRETO

Para as pessoas que me conhecem, não é segredo que eu saio com garotos de programa ou michês, quando o assunto em questão é como satisfazer as necessidades que foram criadas por aquela ordem que Deus deixou para Noé e seus descendentes: "crescei e multiplicai-vos".  Como a camisinha e, principalmente, a pílula acabaram com a relação direta "sexo-filhotes pra criar", creio que a frase deveria ser reformulada para "crescei e satisfazei-vos". Várias são as razões que me levam a usar o sexo avulso. Entretanto, expôr e falar dessas razões nesse momento, tornaria esse post uma coisa longa e maçante. O meu objetivo é contar como é que foi a noite com esse garoto de programa, um garoto especial, pois foi o primeiro que eu cacei, graças às facilidades oferecidas pela internet. O primeiro michê cibernético a gente nunca esquece!

 

    Tudo começou, quando numa noite eu estava numa dessas salas de bate-papo, à procura de alguém pra alguma aventura. Conversar numa sala de bate-papo, onde o tema central é sexo, dá um trabalhão. Além da rapidez pra responder, você tem que ter habilidade suficiente pra conversar com três ou mais pessoas diferentes ao mesmo tempo, sem mandar recados para a pessoa errada. Uma pisada no tomate dessa espécie, põe a perder preciosos minutos de conversação. Já deixei escapar muita presa, por causa desse erro primário. Além disso, pra tornar sua caça mais eficaz é muito conveniente que você tenha um endereço qualquer para conversação instântanea (msn, yahoo messenger, etc)  fotos ou câmera para que caçador e presa se vejam e se avaliem. O texto tá muito cruel, sem tempero? Paciência...mas, é essa a realidade!

 

    Pois bem, naquela noite eu estava com a macaca e adicionei um quaquilhão de pessoas. Não deu certo com ninguém,  eu fique com o escroto abarrotado, desliguei essa maquininha terrível e fui dormir. Antes de fechar esses lindos olhinhos que a natureza me deu, eu fui tentado a prestar uma homenagem noturna a Onan, contudo, resisti bravamente. Dias mais tarde, estava eu no MSN, a falar bobagens e futilidades com alguém, quando "ele" entrou. Se apresentou com um modesto "oi". Ao que eu respondi com outro "oi", pensando ao mesmo tempo em quem poderia ser. Eu deveria dizer o nome dele, porém,  prometi a mim mesmo ser o mais discreto possível. Para facilitar esse relato, digamos que ele se chama Eduardo. É um nome comum, não assusta ninguém, é fácil de pronunciar além do quê é um dos nomes mais bonitos para seres do sexo masculino. O nome real dele tem também essas qualidades. E  pronunciado com o sobrenome, lembra nome de escritor, poeta ou jornalista.

 

    Nossa primeira conversa foi, por assim dizer, uma conversa de informação. Descobrimos de onde nos encontramos, nos identificamos. Fiquei sabendo que ele morava na zona leste, e ele ficou sabendo que eu morava em algum lugar da Vila Mariana. Não me lembro como descobri que ele era garoto de programa, mas isso não tem importância. Indaguei quanto ele cobrava, ele respondeu. Por uma questão de confidencialidade, não digo quanto era. Além do que, não tenho a intenção de provocar uma concorrência selvagem e desleal  no mercado dos garotos de programa. Vi duas ou três fotos dele e gostei do que vi. Ele de mim nada viu, porque naqueles dias eu ainda não tinha uma câmera ou cam, usando a linguagem das salas de bate-papo. Essa primeira conversa parou por aí. A ela, se sucederam várias outras, sem que delas nada resultasse.

 

    Até que um dia, ao iniciar o bate-papo, eu notei no alto da janela de diálogo que ele tinha um site. Enquanto conversávamos, eu dei uma espiada no site. Foi então, que eu descobri que ele registrava num blog as aventuras, os encontros com o vários clientes que tivera até então. Até que escreve bem o danadinho - com fluência, com espontaneidade, com um certo estilo. (Fiquei pensando em fazer coisa semelhante, ou seja, narrar o que aconteceu em cada uma das vezes em que saí com um michê. Acredito que se fizesse isso, as páginas desses relatos cobririam toda a área do Ibirapuera). Se o meu querido Eduardo continuar praticando, escrevendo, irá surpreender muita gente ainda.
 
    Saber que ele tinha um blog e nele imprimia pedaços de seus dias, despertou minha curiosidade. E foi então que propus nos encontrarmos na quinta-feira, na catraca do metrô. Nessa altura, ele já tinha me visto na cam, eu sabia que ele tinha vinte e um anos e definitivamente, era muito simpático. Antes de nos desperdimos, ele fez questão de dizer que não era sarado. Admirei sua sinceridade - nos dias de hoje, ser malhado é um ítem que conta pontos nesse mercado do corpo e do desejo. Para permitir que nos achássemos no verdadeiro formigueiro que é aquela estação do metrô naquele horário,  ele disse que estaria de jeans, tênis, uma camiseta vermelha e boné preto. Eu disse que estaria de jeans e estaria segurando um celular. E na quinta-feira, com um pouco de atraso, lá estava eu, próximo à catraca do metrô, de jeans e portando o celular - como Chapeuzinho, esperando o Lobo Mau! Um Lobo Mau que usava camiseta vermelha e boné preto - e descobri depois, que tinha um jeitinho meio tímido, um olhar carinhoso.

 

   Chegando em casa, ele pediu para tomar um banho. Em seguida, sentamos sobre minha cama, eu coloquei a cabeça dele sobre minhas pernas. Caro leitor ou leitora - você talvez esteja pensando que já éramos velhos conhecidos de cama e banho. Na, nani, nanão....Aquela quinta-feira, como disse linhas acima, era a primeira vez que nos víamos ao vivo e em cores. Há um dado que é preciso esclarecer - com os garotos de programa ou michês, as coisas ligadas ao sexo transcorrem com uma fluidez impressionante. Por exemplo - quando eu disse que coloquei a cabeça dele sobre minhas pernas, isso foi feito com naturalidade, como se fôssemos velhos amantes. É que eles se condicionam no sentido de fazer tudo ou quase tudo para agradar o seu cliente. Afinal, estão sendo pagos para isso. Além do mais, de que outra forma suportar o contato com corpos, odores e sabores que, em outras situações lhes causariam aversão? E  é ai que reside o perigo - se você não tem a linda cabecinha no lugar, você acaba confundindo aquela fluidez, aquela facilidade toda, como um sinal  de que ele sente algo por você, que vai um pouco além da simples transação comercial. Se isso acontecer, não dê moleza - corra para o seu padre, pastor, pai-de-santo. Se apegue com o seu anjo da guarda, orixá ou mentor. Prometa qualquer coisa - até comer uma mulher, se for o caso. Resista, porque se não o fizer você corre o risco de, dependendo do caráter do garoto, ver seu precioso patrimônio, fruto de anos de árduo trabalho, ir por água abaixo, virar pó em questão de dias. Resista, porque ele, no fundo, no fundo, ele sabe que o jogo é esse. Não se esqueça de que nesse jogo, via de regra, a parte fraca é você. Sendo assim, como medida de prevenção de acidentes de percurso, inclua além da camisinha e do lubrificante, a criação de uma espécie de couraça protetora que impeça a sua queda em tentação. Melhor prevenir, que remediar já diziam nossos avós.

 

    Bem,  enquanto eu passava meus dedos entre seus cabelos, conversávamos. Indaguei o porquê de ele estar naquela vida. Ele contou que estava duro, sem conseguir emprego e seguindo orientação de alguns amigos e conhecidos,  entrou numa sala de bate-papo, deixando uma mensagem, oferecendo seus serviços de garoto de programa. As oportunidades não tardaram e dali por diante, a coisa rolou como que por si mesma.  Também perguntei se ele nunca namorou ou casou. Me contou que se apaixonara muitas vezes,  se entregara de corpo e alma. Contudo, seus amores sempre terminaram com muito sofrimento, pois sua entrega e seu afeto eram retribuídas com infidelidade, mentiras e desilusões. À medida que meus dedos percorriam seus cabelos, à medida que suas recordações iam se transformando em palavras, eu fui aos poucos me distanciando. As palavras de Eduardo, dentro de minha mente, foram se transformando em imagens, que se ordenaram para formar uma estória bastante conhecida - nos desencontros dele, eu vi os meus desencontros. Quanto voltei a mim, ele estava dizendo que, cansado de tanta falsidade e mentira decidira bloquear o acesso do amor ao seu coração, já bastante ferido e magoado. Fiquei pensando quantas vêzes aquela alma ainda iniciante teria que ser machucada  para que criasse uma espécie de escudo que lhe protegesse um pouco mais da força de seus próprios sentimentos. O batismo do amor não se faz sem lágrimas, sem queixas e sem dor. Minha mão deixou seus cabelos, passeou em seu rosto e seu peito. Tremia um pouco, acredito que ele não percebeu - melhor assim...

 

    Finalmente, os finalmente aconteceram - quero dizer, o sexo foi suave,  ele me tocava com tanto cuidado, que me deixou um  pouco constrangido. Fiquei com receio de assustá-lo caso resolvesse soltar a franga de uma vez. E me dou o direito de não entrar em  maiores explicações, pois suponho que todos os que estão lendo esse post, são maiores de idade, não fizeram voto de castidade e, sendo assim, conhecem muito bem o tipo de forças que estão em jogo quando duas pessoas, seja lá de que sexo for,  se encontram para esse tipo de lazer. Além do quê, conhecem com exatidão os múltiplos significados dessa expressão, quando usada num contexto específico como esse. Quando tudo acabou, ainda conversamos bastante - ele contou sobre sua família, narrou alguns confrontos com pai e mãe pelo fato de preferir , sob seus lençóis, a companhia de meninos às meninas. E contou sobre seus planos, seus sonhos.  Entre outros, irá embora de para uma outra cidade, pretende se desligar dessa vida de garoto de programa, etc. Sonhos são sonhos, ocorrem a todo instante. Alguns se realizam, outros permanecem ... sonhos, apenas.

 

    De repente, seus olhos quase saltam das órbitas - já passava das onze horas, ele precisava ir embora. Levei-o até o portão do prédio. Fiquei olhando até ele sumir no final da rua. Mais ou menos uma hora depois, liguei pra ele, pra saber se ele já havia chegado em sua casa. Coisas de mãe...
 

 

sinto-me:
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Sexta-feira, 20 de Abril de 2007

O CHEIRO DO RALO - O FILME QUE EU VI

Nessa organização social onde temos que vender nosso trabalho para ganhar nosso sustento,  pouco tempo ou quase nada resta para que se dedicar também a algo que é muito importante - o cuidado e o desenvolvimento de si mesmo. Na tentativa de suprir essa lacuna, essa organização pretende e, na maioria das vêzes consegue, impor sua norma onde o "ter" ocupa o lugar do "ser". Assim, o meu prestígio, o reconhecimento de que sou objeto, a posição social que ocupo decorrem daquilo que tenho e não daquilo que sou. E, a consequência inevitável é a confusão que se instala entre aquilo que tenho e aquilo que sou. Padrões de comportamento então são traçados de modo a atenuar e, sempre que possível evitar, o conflito que se instala dentro do indivíduo. Quando esse controle é rompido, o indivíduo toma contato com o vazio que tem dentro de si e começa a sentir o cheiro do seu próprio ralo.

 

    Em  "O Cheiro do Ralo", Lourenço é um jovem, como tantos outros que vemos passar pelas calçadas, pelas ruas - uma pessoa comum.  Está sempre só, anda cabisbaixo, pouco ou quase nada se sabe a seu respeito. Apenas que trabalha numa espécie de loja de penhores e que está prestes a casar com uma mulher também  comum, só que  extremamente ciumenta. Ganha o seu sustento, por obra e graça da desgraça do próximo. Sua casa de penhores está plena de objetos dos mais diversos, que ali foram deixados por quem teve que se desfazer deles. A relação que Lourenço tem com os seus "clientes" é crua - a todos ele suga - suga os objetos, suga as estórias. E paga aquilo que quer, como e quando quer. Ele está com as mãos no controle - quem dele precisa, tem que pagar, sem choro, nem vela.

 

     Dessa relação, cuja essência é a exploração e o deboche, Lourenço vai montando sua persona, um verdadeiro frankstein. Aprendeu que os objetos que ali são penhorados têm por trás deles uma estória. Já que se apossou dos objetos, também se apossa das estórias que cada um deles traz. Um dia, um dos cliente penhora um olho de vidro. Depois que se apossa dele, Lourenço transforma o olho de vidro, no olho de seu falecido e desconhecido pai. E, é por intermédio desse olho que ele passa a registrar os fatos de sua vida. O olho que tudo vê, tudo controla e tudo avalia. Entretanto, nem tudo é perfeito na vida ! Lourenço tem um problema - o cheiro do ralo que se desprende do banheiro de sua loja e do qual tenta se diferenciar, afirmando que o cheiro não é proviniente dele, mas sim do próprio ralo. Até que um dia, um dos clientes demonstra-lhe  ser ele, Lourenço, o dono do cheiro, já que é ele a única pessoa que usa a privada. E como o ralo recebe o que vem da privada...

 

    E como nem tudo é perfeito na vida, Lourenço tem também uma paixão - se apossar da bunda da garçonete, que o atende no boteco onde ele costuma engolir algo para enganar a fome. Como a única forma de relação que conhece é a da posse, ele faz a sua oferta. A reação da garçonete contudo, não se encaixa no script de Lourenço e mais - deixa patenteado que algo está podre nele, Lourenço, jogando-o definitivamente para o ralo.

 

    Nas cenas seguintes, a garçonete desaparece, levando à exasperação o pobre do Lourenço e criando condições para que o controle seja afrouxado e que do ralo saia o que nele foi oculto. Nessa altura dos acontecimentos o ralo deixou de ser peça da instalação hidraúlica da casa de penhores, para ser o ponto através do qual o atormentado Lourenço tenta ver o mundo, enxergar o que há dentro de suas próprias entranhas. Como era mais ou menos previsível desde o princípio do filme, Lourenço morre, vítima de uma de suas próprias vítimas.

 

    Não concordo com as opiniões de alguns que dizem que o final estragou o filme. Nessa organização social em que vivemos, o controle é peça chave para o assim chamado sucesso. Sucesso esse, que para ser mantido, exige cada vez mais controle. E a morte é controle dos controles. Ela aniquila o ser, apaga conflitos, é a eterna felicidade. É o próprio paraíso, como define uma das últimas falas de Lourenço.

 

    "O Cheiro do Ralo" é um filme para pequenas platéias. Há momentos em que ele leva ao riso, quase engana dando a impressão de ser uma comédia. Entretanto, não se deixe enganar - o que os fotogramas mostram é a profunda solidão, a ausência de referências de nossos tempos. Selton Mello é a grande revelação do filme - com grande habilidade consegue passar para a platéia as nuances daquela atormentada personagem - a rispidez, a ternura, a angústia, a ironia, o desamparo. Definitivamente, um dos bons momentos do cinema nacional.

 


 

 

sinto-me:
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Domingo, 15 de Abril de 2007

O CHEIRO DO RALO - EM MEU CAMINHO

  Tô subindo a Augusta, caminho do metrô, saindo do cinema onde fora ver "O Cheiro do Ralo"... Ali, na altura do Frevinho, um grupo de garotos, todos vestidos de preto, sentados na calçada. Eram garotos de várias cores, todas de tons escuros, muito próximos das roupas que usavam. Para quem ainda não sabe, aqui, no Brasil as pessoas não pertencem a essa ou aquela raça. As pessoas tem cores, cujos nomes não são muito convencionais. Assim, temos o branco, o branquelo, a branquinha, o branquicelo, o desbotado, o barata-descascada, o preto, o pretinho, o nego, a nega, o negão, a negona, o neguinho, o nego-aço, o nego tifu, o nego azulado, o nego azeviche, o nego jabuticaba,  o mulato, o crioulo, o crioulão, a loira,a louraça, a loirinha,  a morena, a moreninha, a mulata, a mulatinha, o italianinho, o alemão, a alemoa, o japonês, o japa, o japinha, o coreano, o corê, o chinês, o judeu, o turco, o sírio-libanês...são cores que não acabam mais. E, com toda essa gama riquíssima de cores pessoais, o Movimento Negro só enxerga duas cores, que ele chama de raças ou seria etnias - pretos e brancos, ou negros e arianos. Azar do Movimento Negro -  vai se ferrar com essa mania de querer dividir as pessoas em duas cores, de não querer enxergar as nuances, a variedade. Se você não enxerga, como pode acertar o caminho? Bem, deixa pra lá...

 

    Voltando ao começo - estava eu subindo a Augusta, a caminho do metrô e ... dou de cara com grupo de garotos, todos vestidos de preto, sentados na calçada. Em torno deles, vários sacos de lixo, sacos todos - pretos. E, no meio de tudo isso, vários cachorros, alguns pretos, outros acinzentados, andando de um lado para outro, ora lambendo um dos garotos, ora sendo se intrometendo no meio deles. Os garotos riam - assim, sem motivo, se é que se precisa de um motivo para rir. Contudo, riam, como se fosse a única coisa que soubessem fazer. Comemoravam o fato de estarem juntos, a vida explodia através do seu riso. Tava na cara que algum produto não identificado tinha um pouco a ver com tudo aquilo. Mas, e daí - nos dias de hoje, é bom que não se esqueça, há muito pouca alegria espontânea, que saia de lá, da medula da alma. Quando passei,  um deles me pediu uma moedinha. Encarei-o e fiz um gesto acusando que havia captado sua mensagem e que não dispunha da tal moedinha. E, continuei subindo a Augusta, desta vez enfiando a mão nos bolsos da calça, gesto de pura defesa e preconceito. E foi então, que descobri que tinha duas moedinhas de cincoenta centavos. Dei uma freada e voltei na direção da garotada. Como disse no início, eu fora ver "O Cheiro do Ralo", e saí de lá me sentindo tão merdinha. Entreguei a moeda para um deles. Um preço muito barato para o "obrigado, tio" com que ele me retribuiu.

 

 

    Segui pra casa, não fui de metrô, fui de ônibus. Desci no Largo Ana Rosa. Passando em frente à agência do Banco do Brasil, o que vejo na calçada, à minha espera? Uma moedinha de cincoenta centavos. Apanhei-a, claro...e fiquei pensando: porque será que a moedinha me foi devolvida? O pessoal engajado nas lutas políticas das pessoas que são da cor preta, dizem que as pessoas, que formam os outros grupos de cor,  têm uma dívida social muito grande, em relação às elas, pessoas da cor preta. Parece que chegaram até a calcular o quanto cada uma delas deveria receber. Eu tentei pagar microscópica parte de minha dívida. Entretanto, esse pagamento não foi aceito. Porque será?

 
 

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Domingo, 8 de Abril de 2007

HUMHUM..AH...ER..FELIZ PÁSCOA

    Desde a  quinta-feira desta semana, Semana Santa note bem -  pois então, desde essa quinta-feira que estou ensaiando para envair minha mensagem de Páscoa para meus ilustres amigos. Entretanto, mais pareço rato que fica dando volta em torno da ratoeira - ligo o micro, abro o teclado, pouso sobre ele esses dedos que a mãe Natureza me deus...mas, inspiração que é bom, nada ! Ou melhor, a inspiração até que vem, contudo vem carregada do peso dos últimos acontecimentos. E eu querendo ignorá-los, dizendo "sai prá lá, trem do capeta", "abandona esse corpo que não te pertence", as, nada...Na verdade, eu gostaria tanto de mandar uma mensagem de Páscoa tão leve e gostosa, como foi a mensagem de Natal. Contudo, pelo visto não será possível - em primeiro lugar, porque acabei de ouvir um foguetório lá pros lados do centro. Sinal de que a meia-noite já chegou e com ela, o domingo de Páscoa. Infelizmente, o relógio acabou de confirmar essa suspeita. Em segundo lugar, não dá mesmo para driblar nossas emoções. Eu começava a escrever a tal da mensagem alegre e leve, mas dava um nó dentro de mim, me sentia como um cavalo diante de um mata-burros - (me perdoem os que não sabem o significado do mata-burros; prometo explicar um dia, até com desenhos, se for possível). E o foguetório continua, cada vez mais barulhento, cada vez mais colorido... Meu Deus, tá parecendo final de Copa do Mundo! Será que vai ser assim, o mesmo foguetório, no dia do Juízo Final?

 

    Bem...chega de enrolação e vamos aos finalmentes - esses tais de últimos acontecimentos iniciaram há quase um ano atrás. Nada assim de tão trágico assim - apenas o trivial variado no cardápio dessa vida. E o pior - um cardápio onde não consta nenhuma bebida para atenuar um pouco alguns desses acontecimentos. Ainda bem,  que tiveram o bom senso de não cobrar "couvert artístico", o que, com toda a sinceridade, eu consideraria o fim da picada. O que são  tais acontecimentos? Coisas já esperadas nessa estrada da vida - morte de entes queridos, amigos com problemas, eu com problemas com alguns dos amigos, alguns membros da família pirando, me deixando sem saber o quê dizer ou fazer e até alguns amigos do peito, pirando, me deixando com cara de cachorro que cai do caminhão de mudança. Sabe, essas coisinhas e coisonas que servem para uma coisa - mostrar o quanto somos impotentes, como conhecemos pouco aqueles a quem  nos afeiçoamos e como somos ridículos. Isso, sem falar em algumas coisonas que, recentemente, tem ocorrido e que deixam horrorizado qualquer um  com um QI levemente superior ao de uma ameba. Só para citar um exemplo - a abominável morte do menino João Hélio, no Rio de Janeiro. Até onde me lembro, por ocasião do Natal, esse horizonte estava mais bem menos carregado, mais fácil de ser gerido, usando um jargão de nossos dias!

 

    ...Então, esse angu sentimental se despejou sobre minha alma e mente, desde a quinta-feira...Tive uns altos e baixos de lá prá cá. Hoje, à tarde, por exemplo - estava eu a limpar o banheiro, com a benedita perfeitamente incorporada, esfregando o chão, quando essa nhaca me pegou. Não deu outra - o nó foi crescendo e, então levantei o corpo, me apoiei na vassoura com as duas mãos e abri o berreiro.  Imagino quão cômica deve ter sido a cena - eu, de bermuda, uma camiseta já bem puída, com uma vassoura mais gasta que vassoura de bruxa, de havaianas das mais triviais, destampando o chororó. Creio que os orixás que me acompanham, devem ter posto as mãos na cintura e feito aquela clássica e fulminante pergunta: "a senhora tá boa ou melhorada?" A resposta vocês já sabem, não é? Num carece dizê...

    ...E sendo assim, desejo a todos vocês uma excelente Páscoa. Que essa passagem, essa páscoa represente um renascer de esperanças e sonhos, etc., etc., etc. Ah - e se, por acaso, algum de vocês resolver atacar de benedita lacrimosa, por favor , use um modelito mais transando, mais incrementado que o meu. Porque, abrir o berreiro de bermuda e havaiana é muito, muito odair josé, muito sula miranda!!!

 

 

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Quinta-feira, 5 de Abril de 2007

POODLES, NO MORE

 

 


      Recebo os mais variados tipos de mensagens nesses anos em que tenho estado devidamente plugado. Nunca fui de protestar por receber esse ou aquele tipo de correio eletrônico. Quando não vou com a cara da mensagem, eu simplesmente dou um clique nela e estamos resolvidos. Que fique bem claro que os critérios que levam a eliminação ou não da mensagem, sou eu quem define, ok? Pois bem - de umas semanas para cá, começaram a pintar na tela do meu ilustre monitor, mensagens com o titulo "poodle para adoção", por exemplo. Como sou mais curioso que um símio, eu avidamente abria todas. E me deparava com a foto de um cachorrinho de madame, coisa essa que eu abomino; e mais - o tal do animalzinho estava mesmo sendo posto para adoção, o que me deixava com o queixo nas Ilhas Malvinas! A coisa vinha dos mais variados remetentes e chegou a tal ponto, que eu estava vendo o dia e a hora em que eu receberia uma mensagem com a foto de um veadinho (isso mesmo veadinho, porque viadinho, é outra coisa), com aquela cara que a gente já conhece muito bem, sendo ofertado para adoção. Cruz, credo, pé-de-pato, mangalô mil vêzes; volte pro mar oferenda; vade retro; sai ebó mal despachado; Santa Bárbara, São Jerônimo - sebo!,  e outras frases e expressões para esconjurar feitiços, macumbas e coisas mal feitas.


    Não vá pensar você que eu odeie animais. Nada disso - desde a mais tenra infância, o meu relacionamento com bípedes ou quadrúpedes supostamente irracionais tem sido muito cordial. Quando infante, tenro e esbelto, eu tinha lá meus bichinhos de estimação. Me lembro  bem de uma galinha carijó, que me esperava no portão de casa, na volta da escola e que caiu do poleiro numa noite de chuva e morreu. Quantas lágrimas por ela derramei. Me lembro também de um cabritinho preto que mamãe mandou assassinar na véspera do Natal.(Nesse fatídico dia, mamãe estava sem maquiagem, pasmem!).  E da greve de fome que eu fiz, como represália. Reações de um petiz, frágil, doce e delicado ante o contato  tão prematuro com a crueldade e insensatez deste mundo.


    Contudo, por uma questão de educação de berço e valores pessoais, meu relacionamento com os pets é um tanto distante, se comparado com o de outras pessoas. E, entre adotar um bichinho, por mais lindo, frágil e indefeso que seja, eu prefiro adotar uma criança. Aliás, já o fiz, pois de fato, não de direito, sou o pai adotivo de duas lindas garotinhas. Uma delas tem quatro anos e se chama Ellen e a outra, cinco anos e se chama Evelyn. Parece nome de dupla sertaneja - fazer o quê, não é?  E, nessa quinta-feira vou buscá-las para levá-las ao barbeiro e cortar os cabelos. Sou do tempo em que criança ia ao barbeiro`e não ao cabeleireiro. E, note bem - eu disse cabelos e não pelos.


    Bem, teci todo esse nhem-nhem-nhem para pedir que, por favor, não me encaminhem mensagens com esse tipo de assunto. Eu não as aprecio muito. Mandem outras coisas, como por exemplo - uma receita de pão de ervas, uma simpatia para curar frieira ou hemorróidas, o nome de um creme ou loção para disfarçar o chulé. Ou então, relate coisas engraçadas a respeito de você ou de seus amigos. Por exemplo - o que você faz, quando em plena luz do dia, numa rua bem movimentada, te dá aquela maldita coceira no fiofó. Você coça gostoso, bem sem vergonha? Ou então, comprime os glúteos e anda apertadinho, meio rebolandinho? Ou então, se encosta no primeiro ponto de ônibus que encontra, e fica ali, bem disfarçado, movimentado o rego pra cima e pra baixo, numa das quinas do ponto? E tem mais - que você faz com o môco que tira do nariz? Você simplesmente despreza, joga fora, como se fosse um OB usado; ou então, faz uma bolinha e fica ali, passando aquela bolinha de um dedo pra outro, até que, por acaso, ela escapa e se precipita ao chão de sua sala, onde servirá de pasto para milhões de ácaros que infestam nossas  moradias? Como você percebe, meu caro amigo ou cara amiga - sou uma criatura simples a quem qualquer paixão diverte, menos ver fotos de cachorrinhos para adoção
 

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Domingo, 1 de Abril de 2007

MINHA POLÍTICA DE COTAS OBRIGATÓRIAS

Creio que uma parcela considerável da população já deve ter ouvido ou lido alguma coisa sobre a tal de Política de Cotas. Em poucas palavras, trata-se de uma série de ações que, fundadas num suposto desfavorecimento de um determinado segmento da população,  pretende oferecer a esse mesmo segmento uma espécie de compensação.  É assim pensando que, aos poucos vem surgindo medidas como reservar um certo número de vagas para deficientes físicos em concursos públicos, por exemplo. Um dos exemplos mais polêmicos apareceu, quando uma lei pretendeu estipular um determinado números de vagas nas universidades públicas para os negros brasileiros. Foi um tal de se declarar negro autêntico ou descendente, mandado de segurança pra cá, mandado de segurança pra lá, ganha liminar, cassa liminar, recurso pra cima, recurso pra baixo. Além da lenga-lenga gerada nos meios de comunicação, isso pode originar situações bizarras, considerando-se a proverbial "rapidez" da justiça brasileira. É bem provável que um dos envolvidos nessa tal de política de cotas, corra o risco de ter o seu pedido julgado, de forma definitiva, quando já passou a habitar o andar de cima. Será divertido ver o oficial de justiça informando a familia do morto que ao mesmo foi conferido o direito de frequentar, de modo definitivo e incontestável, o curso de Medicina, por exemplo.

 

  Bem, parece-me que a política de cotas ao estabelecer esse tipo de compensação, pretende a longo prazo equilibrar um pouco mais a balança da relação dos vários grupos sociais. Pessoalmente, encaro com bastante reserva esse tipo de ação. Entretanto, como nesse momento, meu objetivo não é o de polemizar, decidi oferecer uma outra variante do mesmo assunto. Assim sendo,  fiz o elenco de uma série metas, que se atingidas, irão melhorar de modo sensível, o panorama cultural e moral do brasileiro, que vive e labuta nesse início de século vinte e um. Sugiro ao leitor que crie a sua política de cotas e faça dela o baluarte de sua luta, dentro dos próximos dez anos de vida. Bem, sem mais delongas vamos ao que interessa.
 
 . De cada 10 piruas que posam peladas para revistas masculinas, pelo menos uma deverá admitir que o ensaio não foi somente artístico e que rolou algum babado antes ou depois;

 

 . De cada 10 bichas em que "trupicamos" por esse  país afora, pelo menos uma não poderá pertencer a um desses quadros profissionais: arquiteto,  enfermeiro, pai-de-santo, estilista de moda, diretor de muses, organizador de exposições de obras de arte ou mostra de filmes, professor, personal trainer (ica), guia turístico, ator pornô, comissário de bordo, operador de telemarketing, cabeleireiro, vitrinista, maquiador,  fofoqueiro de programas vespertinos de rádio ou televisão;

 

 . De cada 10 juízes, pelo menos um não poderá ter ligações com o narcotráfico, esquadrões da morte, justiceiros ou políticos corruptos;

 

 . De cada 10 bichas que comparecem à Parada Gay de São Paulo, pelo menos uma estará proibida de pronunciar uma dessas expressões: "eu sou mulher", "linda, maravilhosa", "arrasô";

 

 . De cada 10 garotos de programa, pelo menos um deverá admitir que, além do dinheiro, transa com homens porque gosta;
 
 . De cada 10 garotos de programa, pelos menos um não poderá meter o primo nas estórias nebulosas que contam;

 

 . De cada 10 garotos de programa, pelos menos um está proibido de dizer que é "ativo liberal" ou convidar você para "fazer uma brincadeira";

 

 . De cada 10 jogadores da seleção brasileira, pelos menos um tem que para com essa mania de dedicar o gol ou a vitória do time, à mãe, à esposa, ao filho ou à filha que acabou de nascer;

 

 . De cada 10 jogadores da seleção, pelo menos um tem que ser proibido de dar sua opinião em assuntos que não sejam futebol e, muito especialmente, religião;

 

 . De cada 10 jogadores da seleção, um tem que se mancar e não mencionar o nome da cidade, bairro ou cafundó onde nasceu (essas coisas tipo Bady Bassit, Jardim Nakamura, Água do Almoço, etc.);

 

 . De cada dez jogadores de futebol, pelo menos um,  ao comentar a derrota do time, não diga que  "a equipe está unida";

 

 . De cada 10 chamadas de filme na televisão, um está definitivamente proibido de conter uma dessas expressões: "turma do barulho", "armação", "adrenalina";

 

 . De cada 10 advérbios que o Faustão usa em seu programa para caracterizar seus convidados, um deles não poderá  mesmo ser a palavra "super";

 

 . De cada 10 bandas de "hi-hop", pelo menos uma delas deverá ter um componente branco, albino, japonês ou índio;

 

 . De cada 10 brancas que se casam com um pagodeiro dos cabelos amarelos, roxos, pink ou verdes, uma delas não poderá colocar nas filhas do casal os nomes de Andressa ou Raíssa;

 

 . De cada 10 participantes do Big Brother, pelo menos um deles deverá ter o QI ligeiramente superior ao da minhoca;

 

 . De cada 10 participantes de telenovelas, pelo menos um ou uma será obrigatóriamente ator ou atriz profissional e não ser malhado/malhada e nem obedecer aos padrões de beleza vigentes;

 

 . De cada 10 atores ou atrizes, pelo menos um ou uma deverá confessar que chegou onde chegou ou porque fez o teste do sofá ou porque é o queridinho ou queridinha de algum figurão ou figurona;

 

 . De cada 10 livrarias, pelo menos uma deverá ter como atividade principal o livro. O mesmo se aplica às farmácias, estações do metrô, supermercados (especialmente os caixas), casas lotéricas;

 

 . De cada 10 páginas que as revistas gastam no relato das babaquices de "celebridades" tipo Débora Seco, Vanessa Camargo, Giovana Antonelli, Danielle Winnitz, Dado Dolabella, Murílio Benício, Thiago Lacerda ou Rodrigo Santoro, pelo menos uma página será dedicada à publicações de poemas ou textos de Cecíclia Meirelles, Fernando Pessoa, Guilherme de Almeida, Clarice Lispector e tantos outros e outras;

 

 . De cada 10 jornais ou revistas, pelo menos um ou uma terá que parar, obrigatoriamente,  de colocar a letra "s" no final das siglas. É bom lembrar que sigla não tem plural - dizemos as CPI e não "as CPIs";

 

 . De cada 10 notícias sobre furações no Texas, tufões nas Filipinas, terremotos no Irã ou  o nascimento de mimosos gambás no zoológico de Feira de Santana, pelo menos uma notícia deverá ter  um relevante cunho cultural e educativo;

 

 . De cada 10 canções criadas por rappers, pagodeiros, hiphopeiros uma delas deverá ser necessariamente intelígivel e ter algum sentido,

 

 . De cada 10 minutos dos não sei quantos que o apresentador Sílvio Santos usa na televisão, pelo menos em minuto ele seja proibido de dar aquele "ha-ha-hai" característico e abominável;

 

 . De cada 10 candidatas a miss Brasil (ainda existe?), que pelo menos uma seja obrigada a ler outro livro que não seja do Paulo Coelho, (antigamente, era o Pequeno Príncipe, lembram?);

 

 . De cada 10 mulheres, pelos menos uma tem que admitir que faz sexo sem amor que não deixa calcinha suja no banheiro;

 

 . De cada 10 estranhos que te oferecem uma bebida ou uma bala, pelo menos um não te aplique o "Boa Noite, Cinderela";

 

 . De cada 10 celebridades que roubam objetos tais como vasos, gravatas,  em locais públicos como cemitérios, exposições,  lojas de grife, ou particulares como casa de amigos, pelo menos uma delas confesse que o fez por vontade própria e não porque estava em depressão, ou teve um faniquito, ou então,  distúrbios de comportamento. E, por favor, que nenhuma delas fique publicando nos meios de comunicação, notinhas explicativas e pedindo desculpas. É rídiculo, pra dizer o mínimo;

 

 . De cada 10 assassinos do pai, mãe, avô, avó, irmão, irmã, filho, filha, etc., pelo menos um não poderá confessar que o fêz porque estava sob a influência do namorado ou namorada, passando por forte tensão emocional, estresse profundo ou então sob a influência do "Tinhoso", "Demo" ou "Encardido";

 

 . De cada 10 homens, pelo menos um deverá confessar que tem o pau pequeno. Nada de usar expressões evasivas como "médio", tamanho salão", "serve", "ninguém se queixou até hoje", etc.;

 

 . De cada 10 mulheres, pelo menos uma ter que admitir que o tamanho é documento e basta;

 
 . De cada 10 homens, um será obrigado a assumir a fase adulta a partir dos 18 anos e, entre outros deveres, deixar de usar essa irritante idumentária, jóia da cafonália americana: bermudão, camisetão e tênis com meia;

 

 . De cada 10 bofes sarados que está com uma coroa famosa, pelo menos um será obrigado a confessar que o importante no relacionamento é a conta bancária dela. Consequentemente, de cada 10 coroas famosas, uma deverá se mancar e admitir que o bofe gostoso que a acompanha, tem uma devoção profunda por seu talão de cheque e cartão de crédito;

 

 . De cada 10 padres, pelo menos um será obrigado a admitir que já transou no seminário com um dos colegas ou que, no mínimo, já bolinou o coroinha

;

 . De cada 10 petistas, pelo menos um tem que admitir que o Lula sabia de tudo;
 
 . De cada 10 adolescentes, pelo menos um será proibido de usar expressões tais como: "tá ligado", "beleza", falô", "bró", "maluco", "irado", "demorô" e o abominável "mó" substituindo a palavra "muito" no comparativo de superioridade. Exemplo: "tá o mó frio", ao invés de "está muito frio".

 

 . De cada 10 babás, flagradas espancando indefesas criancinhas, pelo menos uma tem que  confessar que o fez por herodismo (prazer mórbido de maltratar crianças). Nada de usar desculpas esfarrapadas como relatar que  "uma voz dizia pra eu fazer aquilo", ou então, "eu estava possuída pelo demônio". E de cada 10 pessoas que maltratam os idosos, um deles tem que admitir que o fez por gerontofobia;

;

 . De cada 10 evangélicos, pelo menos um será obrigado a abrir os olhos e perceber que sua religião prega uma intolerância profunda em relação aos praticantes do candomblé, umbanda, espiritismo, principalmente;

 

 . De cada 10 pastores evangélicos, um pelo menos terá que confessar que sacaneia seus fiéis, induzindo-os a doarem seus bens, em nome de Jesus e da salvação de suas almas

;

 . De cada 10 advogados famosos, pelo menos um deve se recusar a defender algum sabido e manifesto assassino, bandido, político ou empresário corrupto e juízes  envolvidos em sacanagens com a lei;

 

 . De cada 10 CPI, pelos menos uma, obrigatoriamente, não deve terminar em pizza;

 

 . De cada dez políticos, pelo menos um tem que admitir que é ladrão, corrupto passivo e ativo, canalha, cafajeste, cara-de-pau, filho-da-puta, safado, sacana, etc., etc., etc.,

 

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publicado por cacá às 21:03
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