Sábado, 15 de Setembro de 2007

RENAN E OS MATINHOS

     Essa quarta-feira que passou, dia 12 de setembro de 2007, ficará conhecida como a quarta-feira em que o Senado Federal naufragou de vez no abismo de escândalos que teem vindo à tona, todos eles ligados à figura de seu "ilibado" presidente, o senhor Renan Calheiros. Contrariando completamente a porção pensante do país, os senhores senadores "absolveram" o senhor Renan das acusações que lhe foram atribuídas. Eram várias essas acusações - entre elas a que ganhou maior destaque, foi o fato de a pensão devida a um filho que o senador teve fora do casamento, ser paga por um lobista de uma empresa de construção civil, a famosa Mendes Júnior. Esclarecendo bem - o problema não era o fato de o senador ter pulado a cerca, ou se quiserem, ter posto na cabeça de sua sacrossanta esposa, um frondoso par de chifres. A questão toda era que, a pensão originada de tão corriqueiro fato, não saía do bolso do senador e sim, provavelmente do bolso do lobista, ou do departamento de finanças da empresa, sabe Deus.

 

       A coisa toda rolou durante uns quatro meses. Denúncia daqui, denúncia de lá, o senador refutando essas denúncias com fatos, que minutos depois eram refutados, novas denúncias, depoimentos de fulano, cicrano e beltrano, etc. E no final, depois de uma sessão conturbada, o senador acaba sendo absolvido pelos seus pares. É necessário ressaltar que essa sessão foi às portas fechadas e o voto foi secreto. Claro está que nesse esquema havia o dedão do Governo, manobrando para salvar o ilustre aliado. Depois da absolvição, as declarações dos senadores petistas - a senhora Ideli Salvatti explicou que a absolvição fora uma decisão da maioria do senado e que por isso,  a única coisa a ser feita era aceitá-la. O que ela não explicou foi as razões que a levaram a redigir e ler um inflamado discurso em defesa do senhor Renan. Também não declarou qual fora o seu voto. Por uma questão de coerência, suponho que a ilustre tenha votado pela absolvição do ilustre. O senador Aloisio Mercadante, estampando na face um quê de consternação, ou se assim o preferirem, com cara de cachorro que foi pego fazendo pipi no tapete da sala, declarou que se abstivera de votar, por não estar totalmente convencido das acusações atribuídas ao senhor Renan. Segundo ele, as investigações não se aprofundaram,  as provas não eram conclusivas. Acredito que o senhor Aloisio, a senhora Ideli e todos os demais que votaram pela absolvição do ilustre, ou se abstiveram de fazê-lo, esquecem-se de uma coisa. O quê estava em jogo não era tanto o fato de o lobista ter pago a pensão do filho bastardo do senador. O que estava em jogo era a conduta do senador, fruto de seus valores morais. Nessas circunstâncias, esses valores levaram o senador a concluir que não seria nada demais que a pensão de seu filhote saísse do bolso do lobista. Contudo, quais seriam as razões que levariam o lobista a fazer isso, já que o filho não era seu? E seria o levantamento dessas razões que iria provar se a conduta do senador era ou não compatível com o cargo que ocupa de senador e de presidente do senado. Arrisco um palpite - o senador mantinha com o lobista uma relação de troca, mais ou menos assim: você paga a pensão do meu rebento  e, em compensação, eu te dou uma forcinha em tal e qual concorrência (ou será que alguém acredita que o lobista fazia o que fazia somente por pura e sincera amizade?) Fica claro que o senhor Renan usava de seu cargo de senador e de presidente do Senado para obter vantagens de ordem pessoal. Se retribuía ou não as vantagens obtidas, é um outro papo.

 

       Fica claro também que a pessoa que ocupa um cargo público tem que agir de modo a não levantar suspeitas sobre sua conduta. Ainda que seja uma pessoa de princípios frouxos ou duvidosos, a partir do momento em que assume o cargo, sua atitude, sua conduta tem que ser um reflexo dos valores morais que o cargo exige. Um cargo público exige que seu ocupante conduza sua vida privada de modo a não lançar dúvidas sobre sua vida pública. Dessa maneira, um ocupante de um cargo público não pode, por exemplo, ser encontrado às quatro da manhã, completamente bêbado, caído na sarjeta com um cachorro lambendo-lhe a boca. Ou então, ser flagrado num restaurante, jantando alegremente na companhia de notórios traficantes, sonegadores de impostos, exploradores de menores, dirigentes de jogo do bicho, bingueiros, etc.  Pois bem - no caso do senhor Renan, a dúvida que ficou, a suspeita que foi levantada versava sobre a questão de o senador confundir sua vida pública com sua vida privada. Em outras palavras, se o senador tinha esse tipo de relação com o lobista, será as relações que ele possuía com os representantes de outras instituições não eram fundadas no mesmo vício, qual seja, o de usar de seu cargo público para obter vantagens de ordem pessoal? E assim pensando, seria necessário investigar o relacionamento desse senhor com os dirigentes dos grandes bancos, com os grandes proprietários rurais, com os representantes dos sindicatos, com os representantes dos vários ramos da indústria, comércio, com os dirigentes dos outros partidos políticos,  etc. Como isso seria um trabalho insano e já que sobre o ocupante de um cargo público não pode haver suspeitas sobre sua conduta em hipótese alguma, a solução a ser adotada seria a do prevenir para não ter que remediar, ou seja, arranca-se e joga-se fora o matinho antes que ele se transforme numa praga e acabe com o pomar. No caso do senhor Renan e em tantos outros, nada disso foi feito - preferiram conservar o matinho a limpar o terreno. Esqueceram que o nó da questão não era a grana e sim a amizade com o lobista. E, como preferiram salvar o matinho, comprometendo assim a integridade do pomar, os que votaram pela absolvição ou se abstiveram se igualam ao objeto que defenderam, ou seja, são todos matinhos que devem ser decepados o quanto antes. Eleitores, não se esqueçam disso nas próximas eleições!

 

       Só para terminar - há um provérbio espanhol que, todo o ocupante de um cargo público, deveria colocar num quadro, devidamente emoldurado e mantê-lo na entrada de seu gabinete, na cabeceira de sua cama e até em frente ao vaso sanitário que utiliza. O tal provérbio diz simplesmente: cria corvos, um dia eles furarão os teus olhos.

  

  

sinto-me:
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Domingo, 9 de Setembro de 2007

EU IA ESCREVER SOBRE O PT

    Estava com vontade de escrever sobre o discurso de nosso ilustríssimo e honradíssimo presidente da República, na última convenção nacional do Partido dos Trabalhadores. Acho que essa convenção foi no sábado que passou, aqui em Sâo Paulo mesmo. Estava com vontade de escrever muita coisa sobre aquele discurso, que para mim foi uma peça plena da mais descarada das mentiras, mas que para muitos petistas e seus simpatizantes, soou como um verdadeiro ato de purificação. Contudo, meu estômago não permitiu - vocês podem imaginar porquê.

 

       Porém, antes do sinal de alerta estomacal, eu consegui vislumbrar um fato, que para mim é tão evidente como a luz do Sol. Depois de Mensalão, Dólares na Cueca, Compadre daqui, Compadre de lá, Churrasqueiro, irmãozinho Vavá,  no meio dessa floresta de escândalos e corrupção, conclui que há, pelo menos, três tipos de petistas, a saber:  a) o petista louco (mesmo, caso de ser encaminhado para o Charcot, Juqueri, etc.) - é aquele que sabe de tudo, mas ainda acredita piamente nos antigos ideais do partido;  b) o petista safado - é aquele que sabe de tudo, no entanto, ele está a fim de se arrumar e arrumar a vida de sua parentália, de seus amigos, clientes, amantes e seja lá o que for ; c) o petista rato - é aquele que sabe de tudo, mas não tem coragem de chutar o pau da barraca e partir pra outra; é covarde demais, fraco demais, inseguro demais para recomeçar, precisa de uma crença, ainda que ela seja uma mentira. Como se percebe, como o queridinho do Lula não sabe de nada, fica ele, portanto, fora de classificação. Entenda como quiser.

sinto-me:
publicado por cacá às 05:50
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