Domingo, 11 de Março de 2007

SE A GRIFE É "DA SILVA" ...

 

Li no Estadão de uns quinze dias atrás, que algumas usinas de cana, do Nordeste, estão encontrando dificuldades no recrutamento de pessoas para cortar cana. Não que os candidatos não aparecessem para o preenchimento das vagas. Os candidatos surgiam sim, em número bastante expressivo. O grande problema é que a maioria deles, não queria ser registrada, queria evitar qualquer vínculo ostensivo com as usinas. E o motivo para essa recusa - é que tendo um emprego com carteira assinada, eles perderiam o direito ao Bolsa Família e, provavelmente, a outras "bolsas"também. Por vêzes, penso que o governo do Sr. Lula da Silva, acha que os brasileiros todos pertencem a classe dos marsupiais. É bolsa de tudo quanto é jeito, tamanho, cor e para todos os gostos.

 

 Segundo a "brilhante" cúpula do PT, o bolsa familia foi criado com uma finalidade eleitoreira - ou seja - criar uma clientela cativa, que garantisse a reeleição do Sr. Inácio da Silva. Claro, que sua fachada seria a promover a justiça e equidade social: "nunca antes nesse país se distribuiu tanto..." deve ter sido essa a introdução do diploma legal que criou o bolsa familia .Porém, para todo o mundo que tinha pelo menos dois neurônios funcionando, 'tava mais que na cara que o PT estava criandoum curral eleitoral, uma fonte de onde jorrariam votos certos, na hora certa. Uma releitura do voto de cabresto, uma cara nova para o velho coronelismo. Ave PT!!!

 

 O plano deu certo - o Sr. da Silva foi reeleito em segundo turno, com uma votação expressiva oriunda das áreas onde o bolsa família entrava na composição da renda familiar. Compreensível até - num local onde comida, prato, garfo, faca, são elementos pertencentes ao mundo da imaginação, ter rango uma vez por dia  é trazer o céu para a terra. E faz do autor de tamanha proeza,  uma figura mítica do porte de um Prometeu, Hércules, Moisés ou do Messias, salvador  e redentor.

 

 Em princípio, não sou contra medidas assistencialistas. Quando inseridas dentro de um projeto de govêrno, o assistencialismo pode delinear com mais clareza a amplitude de suas medidas e permitir uma melhor distribuição de recursos.Contudo, não me parece ser esse o caso do Bolsa Família. Da forma como está concebido, isolado de um projeto de promoção social,  com objetivos apenas eleitoreiros, ele vem mostrando o lado mais perverso do assistencialismo - o de retirar de seu beneficiário a dignidade, transformando-o em número que virá a ser computado nas próximas eleições. Transforma o cidadão em mendicante de carteira e, como me parece que o sonho do senhor da Silva é o de ficar uns vinte anos no poder, o resultado sombrio desse malfadado programa será o de criar uma geração de mendicantes. Pessoas viciadas a tudo esperar do Estado, sem crítica, prontas a obedecer às ordens de seu mecenas, contanto que esse mecenas garanta-lhes a mera sobrevivência física.

 

 E, nessa altura, o que pensar do partido político que engendrou essa medida? Do P.T.,  fico pensando se esse grupo, essa agremiação não vai além de um amontoado de pessoas e idéias, com um único alvo pela frente - o poder! Não ficaria nenhum pouco surpreso se daqui a algum tempo os fatos nos levarem à conclusão de que o Partido dos Trabalhadores não passou de uma grande e bem montada farsa. Para se garantirem no poder, rasgaram e cuspiram em seus princípios, outrora defendidos à unhas e dentes. O senhor Inácio, certa vez, teve o desplante, o atrevimento de declarar que jamais fora uma pessoa de esquerda! Como se isso não fosse suficiente, patrocinaram o que talvez tenha sido o pior momento do Congresso Nacional - o mensalão, com evidente desejo de degradar, de desmoralizar o Legislativo, criando nos corações e mentes dos menos informados que a idéia de que o Congresso não passa de um bando de aproveitadores e ladrões dispostos a tudo,  menos legislar e vigiar o Executivo. Isso, sem considerar a expulsão dos deputados e senadores que discordaram do partido, sobretudo quando da votação da reforma da Previdência (Heloísa Helena, Luciana Genro, o deputado Babá); sem contar também, a absolvição do deputado petista, mensaleiro confesso!.

 

 A História é a ciência que estuda as relações entre os vários grupos humanos e o poder - a forma como lidam com ele, como se organizam para conquistá-lo e dividi-lo. Como seus atores estão em todos os segmentos sociais, cada qual tem uma visão bastante peculiar. Somente o correr do tempo é que proporcionará uma visão mais homogênea, da qual se possa o deduzir o  fio da meada. Fernando Collor, quando presidente, foi duramente criticado por suas medidas que iniciaram o processo de abertura econômica. Hoje, já se comenta que sem aquelas medidas estaríamos em situação pior. Dentro de dez, quinze ou talvez vinte anos, o que se poderá dizer desses oito anos de governo do senhor da Silva? Sinceramente, eu nada consigo pensar - para todos os ângulos para os quais me dirijo, minha mente é ofuscada pela imagem daquela deputada-bailarina, símbolo eloquente da administração, da grife do senhor  "da Silva".

 

 

sinto-me:
publicado por cacá às 18:35
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