Domingo, 21 de Janeiro de 2007

O PRAZER É TODO MEU

Criei esse blog há alguns dias e até agora não inseri nenhum texto. Estava meio ressabiado, desconfiava que o blog já fora fechado, pois entre o dia da criação e o dia da primeira postagem o tempo transcorrido fora considerável. Tanto assim, que fui dar uma espiadinha na página, lá em Portugal. Como tudo estava ok, certinho, então aqueci os dedinhos, encostei-os no teclado esperei que viesse a inspiração. Como esta demorou, resolvi começar sem ela mesmo.

Bem, todos os manuais de blog que conheço recomendam que se deve começar um blog pela apresentação do blogueiro. Então, se é assim, lá vai: o meu nome é Luiz Carlos, nasci em Londrina, a cidade mais linda do mundo, no estado do Paraná. Sou do signo de Capricórnio, e portanto, nasci em um dos dias compreendidos entre 22 de dezembro e, alguns dizem 20, outros, 19 de janeiro. Antes que alguém se suicide de curiosidade, nasci no dia 25 de dezembro, as 7:30hs da manhã. Minha mãe sempre contava que por ocasião de meu nascimento, viera de São Paulo, a irmã caçula de meu pai, a tia Cedina. Pois bem - essa minha tia, que naqueles idos tinha lá seus 26 ou 27 anos, era do tipo festeira. Adorava bailes, quermesses, carnaval e outras coisas do gênero. Como meu pai também tinha gosto muito semelhante ao dessa minha tia, o resultado não poderia ser outro. Papai convidou todos seus amigos para a ceia, a casa ficou abarrotada de gente e a ceia se transformou num baile, que terminou bem depois da hora de meu nascimento. Jesus foi saudado por um coro de anjos, balido de ovelhas, o canto do galo, a brisa noturna e a estrela Dalva. Eu fui saudado por um bando de foliões, comando por uma tia meio maluca. Acredito que isso teve algum reflexo em meu comportamento - não posso escutar música de carnaval, sem sentir aquele ímpeto quase incontrolável de sair dançando. Essa minha tia, depois de meu nascimento, voltou para São Paulo e nunca mais deu notícias. Só fomos reencontrá-la quinze anos depois. Claro, estava um pouco mais envelhecida, mas a queda pela festividade e algazarra decorrente continuava a mesma.

Duas coisas que sempre me deixaram frustrado por ter nascido no mesmo dia em que nasceu o Salvador - nunca pude dar uma festa de aniversário e nunca ganhei dois presentes durante o ano. Explico melhor - desde pequeno notei que meus irmãos e meus amigos faziam festa de aniversário, na qual ganhavam presentes, para compensar o fato de terem vindo ao mundo. E que, também por ocasião do Natal, eram presenteados para compensar não sei o quê. Comigo, a coisa era outra. Como minha casa sempre esteve cheia de gente nessa data, poucas pessoas, e as vêzes somente minha mãe e meu pai se lembravam de meu aniversário. Todos, sem exceção davam parabéns para minha mãe, que, esqueci de contar, nascera no mesmo dia, o mesmo acontecendo com a mãe dela, minha avó. Eu, contudo, ficava pelos cantos da casa meio esquecido. As vêzes, lá pelas tantas do dia 25, alguma alma caridosa se recordava do fato de eu ter vindo ao mundo naquele dia e se encarregava de comunicar esse tão auspicioso fato para os que ainda estavam na casa. Então, eu era cumprimentado, abraçado e beijado por todos. Eu ficava com uma cara de coqueiro na praia e não raro,  meio lambuzada da saliva etílica de alguns daqueles que me parabenizavam. Sentia que os cumprimentos, beijos e abraços eram genuínos, contudo, tinham uma pontinha de sentimento de culpa. Presentes que é bom, nada , né? Devo confessar que tais fatos não deixaram marcas em meu caráter - não provocou nenhum tipo de desajuste social. Faço essa ressalva, porque hoje em dia, se fulano esfaqueia, enforca ou mata  cicrano sempre surge alguém que atribue o funesto acontecimento a algum trauma de infância.

Já crescidinho, compreendi que era impossível fazer uma festa de aniversário - ninguém compareceria!  É mais ou menos óbvio - os adultos, não terão disposição depois de uma noitada de comes e bebes e porres de causar inveja a Baco e companhia. Além, é claro, da ressaca violenta que costuma acompanhar esse tipo de proceder. As crianças - estarão entretidas a brincar com os presentes que ganharam, além do que crianças não são muito solidárias, faz parte da natureza delas...Como eu me recusava e ainda me recuso a comemorar meu aniversário na véspera ou no dia seguinte, o resultado foi que nunca promovi nenhuma festividade para comemorar meu nascimento. E, ironia das ironias - atualmente, a maioria das pessoas se lembra de mim, nessa tão festiva data, me cumprimentam, dão parabéns. As mais solidárias, julgo eu, perguntam se não vou fazer nenhuma festinha. E quase sempre respondo com um grunhido. Se eu o fizesse e a convidasse, tenho certeza de que tal pessoa seria a primeira a tirar o corpo fora. "Ai, sabe como é, né? Amanhã, tenho que almoçar com minha sogra, ou mãe, ou coisa que o valha".

Será que isso já basta como apresentação? Acredito que sim. Falta explicar o porquê dessa caravela que ilustra o post. No entanto, isso será assunto para outra ocasião. Até lá, inté...

 

 

sinto-me:
publicado por cacá às 15:15
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