Sábado, 26 de Janeiro de 2008

BOBAGENS DO ANO QUE PASSOU

 

2007 terminou ontem e, sinceramente, dele pouco ou quase nada me vem à memória. Não consigo me recordar de pronto de algum fato - morte ou nascimento de famosos, alguma hecatombe natural ou causada pelo homem., nada. Parece que o  ano que não existiu. A não ser pela realização dos jogos panamericanos no Rio e da escolha meio fajuta do Brasil para sediar a copa do mundo de 2014,  o resto passou em brancas nuvens. Sim, claro, me lembro de alguns fatos, tipo Paris Hilton e Britney Spears, as escadalosas de plantão, fazendo album barraco ou dando alguma baixaria. Coisas como vomitar na cara de alguém, mostrar a cor da calcinha ou mostrar que estava sem calcinhas, essas coisas de quem não tem berço, como se dizia no meu tempo. Pobre humanidade - atolados que estamos nessa confusão e profusão de imagens e informações, passamos o tempo a fazer poses, olhamos maravilhados para nossos reflexos nas câmeras de tevê, de celulares, de computadores. Creio que terminaremos nossos dias como micos de circo - olhando para nós mesmos e fazendo caretas, micagens e gracinhas, numa comprovação cabal de que a raça humana tem o potencial de uma ameba.

 

  Das coisas que me recordo, duas vêm da área política - uma delas é um projeto de lei do deputado Clodovil, e cuida da obrigatoriedade do exame de toque de próstata. Como não procurei ler o projeto na íntegra, fiquei sem saber em que situações esse exame seria obrigatório. A idéia em si não é má. Pelo menos no Brasil, a quantidade de machos que morrem de câncer de próstata por puro preconceito, é enorme. Entretanto, acho que o deputado poderia muito bem gastar sua massa encefálica na pesquisa de idéias que visassem a quebra do preconceito contra esse tipo de exame. Creio que seria mais produtivo, pois a maioria dos machos no Brasil e no mundo, trata o precioso orifício como algo estranho a seu corpo. Evidentemente, a idéia do deputado Clodovil prestou-se a todo o tipo de chistes e piadas de bom e, principalmente, de mau gosto. Uma delas, falava da formação de grupos de machos gaúchos e nordestinos, que iriam marchando até Brasília para protestar contra o projeto daquele nobre representante do povo. Um dos grupos denominava-se "Na Minha Ninguém Põe" e o outro "Tira o Dedo do Meu Pudim" - entenderam o trocadilho?

 

  O outro projeto de lei, é de um deputado federal do PT, pelo Acre. Propõe aquele nobre legislador que as donzelas que engravidarem em virtude de estupro, recebam uma ajuda do governo federal. Tal ajuda consistirá no pagamento de um salário mínimo todo o mês, até o fruto do estupro completar dezoito anos. Óbvio está que a condição sine-qua-non para a percepção do benefício é a não realização do aborto. E tem mais - o governo federal se comprometeria a fornecer ajuda psicólogica gratuita para convencer a vítima a não induzir o aborto. O tal deputado é apoiado por grupos religiosos, principalmente das igrejas católicas e evangélicas. As feministas protestaram furiosamente e com razão. A imprensa caiu matando e tascou um apelido no projeto - "Vale Estupro". Naturalmente, se tal projeto converter em lei, imaginem a quantidade de estupradas que irão surgir aqui e ali, buscando ao auxílio prometido. E como separar o joio do trigo, ou seja, como distinguir entre o estupro real e a estória forjada?  Uma das características do estupro é a realização do ato contra a vontade de um dos participantes.. Ora, todos sabemos que não é raro existirem casais onde a esposa é, eventualmente,  obrigada a ter relações com o marido. Vai dai que forjar uma estória, é um passo..

 

  Vem também de 2007  e isso não é uma bobagem , a idéia mais nítida para mim, do que seja globalização. Uns dias antes do final do ano, eu precisei falar com o suporte técnico do fabricante de antivírus, que uso em meu computador. Procura daqui, remexe dali, descobri um "0800" e liguei. Me atendeu um rapaz muito educado, falando um português com sotaque de Portugal. Achei muito estranho aquilo tudo, entretanto, respondi às suas perguntas, relatei o meu problema e iniciamos os procedimentos para a resolução do problema.  No meio da coisa, eu perguntei de onde o rapaz estava falando. Ele respondeu-me dizendo que estava em Dublin, na Irlanda. Antes que eu pudesse dizer algo, ele me esclareceu que o fabricante concentrou o suporte técnico para o mundo todo, na Irlanda. E que ele, Marco, fazia parte do grupo destinado a dar assistência para usuários de língua portuguesa. Cá entre nós, o sotaque dele não era muito carregado, o que foi minha salvação. Que me desculpem os eventuais leitores portugueses - eu tenho muita dificuldade para compreender o  português falado com sotaque de Portugal. Filme português, somente com legendas, caso contrário fico boiando o tempo todo. Voltando ao assunto, Marco contou-me que tem 27 anos, parte de sua familia reside em Portugal e parte nos Estados Unidos. Ele saiu do torrão natal por falta de oportunidades e graças a seus conhecimentos de informática e às facilidades para qualquer vivente comunicar-se com outro, conseguiu esse trabalho na Irlanda. Coisa estranha e malévola tem esse capitalismo financeiro e globalizante - transformou o mundo numa aldeia e, ao mesmo tempo, promove a desestruturação de instituições como família, empresa, nações. Acho que essa estória vai acabar mal, muito mal.(ai me esqueci da vinda do Papa -  fica pra próxima e ah... também se fosse outro papa, mais progressista)


  

sinto-me:
publicado por cacá às 01:08
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1 comentário:
De Luzia a 30 de Janeiro de 2008 às 10:56
Cacá, quando trabalhei na Bélgica, na Volvo, fazia parte do grupo ibérico, que atendia os clientes falantes de portugu~es e espanhol no continente europeu. Pena que não era globalizado mundo afora... mas paquera e perguntinhas sobre minha vida pessoal nunca tive que responder. serão os europeus menos curiosos ou será você um inxirido????
Lulu

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